Cuba difícil de vender nos EUA obriga companhias a cortar rotas

No ano passado, os aviões norte-americanos regressaram a Havana pela primeira vez em cinquenta anos. Mas o destino não está a convencer nos EUA
Publicado a

A partir de maio, a JetBlue vai reduzir a sua capacidade para Havana. A companhia norte-americana começou a voar para aquele destino em agosto do ano passado e foi a primeira a regressar a solo cubano depois de mais de 50 anos de interrupção.

O corte da empresa criada por David Neeleman, um dos atuais acionistas da TAP, não vem sozinho. É já a terceira companhia, em poucos meses, a dar um passo atrás no número de passageiros a transportar para Cuba, perante a dificuldade de vender o destino na América.

Há uns meses ninguém imaginava este cenário. As companhias fizeram fila para obter a validação do Departamento dos Transportes norte-americano e regressar à ilha de Fidel Castro. O acordo histórico para o regresso dos voos comerciais foi assinado logo em fevereiro e as principais transportadoras regressaram com elevadas expectativas.

A JetBlue, que retomou as ligações logo em agosto, estabeleceu 50 viagens semanais (ida e volta). Agora, foi obrigada a reajustar a operação. Os voos vão continuar a sair na mesma proporção mas, como os aviões serão mais pequenos, serão transportados menos 300 passageiros todos os dias.

Em dezembro, a American Airlines já tinha decidido deixar cair uma de duas ligações de Miami para as cidades de Holguin, Santa Clara e Varadero. Os cortes já entraram em efeito no início de fevereiro.

Em outubro, já Don Casey, responsável pela gestão das receitas da transportadora, tinha dito que "todos estão a sentir algumas dificuldades em vender Cuba", salientando que "há muitas restrições que tornam difícil vender [o destino]".

Não foram os únicos. Ainda em dezembro, a Silver Airways tinha anunciado um corte na operação. Não deixou cair nenhum destino, mas cortou ligações a seis cidades cubanas.

No setor, acredita-se que o destino mantém o seu potencial. No entanto, as fracas infraestruturas, preços elevados dos transportes e dos hotéis - que não correspondem necessariamente à qualidade oferecida -, internet limitada estão a desviar o interesse para outros destinos.

A primavera arranca, por isso, com menos força, enquanto a transição se faz no país com alguma dificuldade.

No ano passado Cuba recebeu um recorde de 3,52 milhões de turistas, mais 17,4% do que em 2014. O número de turistas norte-americanos cresceu 77% para um total de 161 mil visitantes. As estatísticas deixam de fora os milhares de cubano-americanos que regressaram ao país.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt