Da ideia à prática, cinco projetos disruptivos de futuro que já estão a mudar o mundo

São cinco empreendedores que querem transformar a mobilidade e a logística, melhorar a saúde e os processos da nanotecnologia. Têm em comum a vontade de ajudar a mudar o mundo e terem vencido um Altice Innovation Award, garantindo reconhecimento e financiamento para desenvolver os projetos. No aniversário do Dinheiro Vivo, estes fazedores subiram ao palco e em pitch explicaram o que fazem e o impacto do prémio nos seus negócios, à conquista do mercado.
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Outsystems, Farfetch e Sword Health são apenas três exemplos de startups portuguesas que conquistaram o mercado em que se lançaram e atingiram o patamar mais desejado pelos empreendedores: receber o título de unicórnio. As avaliações superiores a mil milhões de dólares espelham bem o valor acrescentado pela inovação, um desafio que cada vez mais fazedores querem agarrar com os seus projetos.

É o caso de Francisco Nogueira, cofundador da Glooma; Inês Rito Lima, do projeto Neural Motor Behaviour in Extreme Driving; Luís Mendes, da Meight; Dário Pedro, criador do produto Heifu; e Tiago Cunha Reis, da Mater Dynamics, todos eles vencedores nos Altice Innovation Awards.
Depois de vencerem o concurso que premeia as ideias mais originais e com maior potencial de aplicação no mundo real, estes cinco fazedores dedicaram-se ao aprofundamento da solução criada e estiveram, na terça-feira, na conferência "O Futuro é dos Fazedores", que celebrou o 10.o aniversário do Dinheiro Vivo, para explicar o impacto do prémio no desenvolvimento dos seus negócios. Da mobilidade à saúde, não esquecendo a logística ou a nanotecnologia, estes são cinco projetos que vale a pena manter debaixo de olho.

Em Portugal e no mundo, o cancro da mama é um dos mais prevalentes entre as mulheres, apesar de ser também um dos mais preveníveis. "Há 37% dos cancros da mama que não são detetados a tempo", enquadra Francisco Nogueira. Focado em melhorar a prevenção e inspirado por um caso real na família, o cofundador da Glooma procurou na tecnologia uma solução que facilitasse a automonitorização.

"A minha prima foi diagnosticada com cancro da mama depois de ter sentido algo no peito e ter desvalorizado completamente", começou por explicar. O diagnóstico tardio levaria à necessidade de remoção da mama, um cenário que Nogueira quer ajudar a evitar. Para isso, criou uma luva inteligente de palpação que pode ser usada para o controlo regular e autónomo, complementada por uma aplicação móvel. É através desta app que qualquer pessoa pode ser informada caso a luva detete alguma alteração física anómala, emitindo alertas ao utilizador e recomendado visita ao médico.

"É um complemento à palpação, não substitui os exames de diagnóstico ou complementares", avisa o empreendedor que, com a vitória na última edição dos prémios de inovação atribuídos pela Altice, conseguiu já começar a expandir a sua equipa e trabalhar num protótipo que possa ser industrializado e comercializado de forma generalizada.

Vencedora dos Altice Innovation Awards em 2017, a Mater Dynamics é uma startup na área da nanotecnologia e pretende converter objetos do quotidiano, não eletrónicos, em dispositivos inteligentes. "Convertemos produtos não eletrónicos em produtos inteligentes", explica o fundador Tiago Cunha Reis. E exemplifica com caixas que revelam quando foram recheadas ou paletes que informam sobre a carga e respetiva data.

"Para nós, os produtos e as embalagens são gateways físicos para melhorar a experiência do consumidor", acredita o fazedor. Stamply é o nome de um dos produtos já desenvolvidos e pode ajudar no processo de inovação das empresas, que assim conseguem, diz a startup, ver os seus custos reduzidos. Como diz o nome, é uma espécie de selo que pode ser colocado em qualquer objeto e dar-lhe um cérebro eletrónico, permitindo a sua monitorização e gestão remota.
"Estamos agora a criar um polo de conhecimento gratuito em que se possa aprender coisas como data science", esclarece o responsável, que confirma ainda a intenção de continuar a inovar e a transformar produtos já existentes, dando-lhes uma nova vida. "O nosso foco não é criar novos produtos inteligentes, é tornar inteligente o que já existe", remata.

No campo da mobilidade, a Meight procurou desenvolver uma solução tecnológica para "o setor de transportes e mercadorias" para "melhorar a eficiência" de empresas que, diz, lidam com margens de lucro reduzidas. "Uma simples aplicação para um motorista é capaz de alterar o comportamento de condução e com isso melhorar a eficiência", diz o fundador, Luís Mendes. Entre os dados recolhidos por sensores, estão informações como o consumo de combustível e as emissões de CO2. Por outro lado, além de servir como ferramenta de auxílio à condução, esta app pretende "ligar toda a supply chain" num ecossistema que permita poupanças.
A presença no evento foi aproveitada por Luís Mendes para fazer um anúncio de revelo: a Meight conseguiu nova ronda de financiamento, de 1,3 milhões de euros, de "investidores que conhecemos na Web Summit".

O cérebro encanta Inês Rito Lima, autora do Neural Motor Behaviour in Extreme Driving, que recorreu a pilotos profissionais de alta competição para recolher dados através de diferentes sensores colocados a bordo de um automóvel. Com estes dados, que analisam o comportamento ao volante, a especialista em data science espera conseguir analisá-los com a ajuda de inteligência artificial e utilizá-los para treinar um sistema de condução autónoma.

"Isto é muito interessante para o desenvolvimento de veículos autónomos", diz, já que poderá robustecer sistemas de condução capazes de reagir a cenários de perigo iminente, como um despiste ou derrapagem à chuva.

Depois de ter visto o seu projeto reconhecido nos Altice Innovation Awards, com "grande impacto na evolução" da ideia, Inês desenvolveu um protótipo que vai testar "em breve". E criou "toda uma rede de contactos que perdura e se vem alargando".

Da estrada para o céu, o Collision Avoidance on Unmanned Aerial Vehicles using Deep Neural Networks, criado por Dário Pedro, trabalha algoritmos para veículos autónomos como drones. A ideia é "percecionar algoritmos em movimento, como uma bola atirada contra um drone ou um pássaro que com ele entra em colisão" e, com recurso a três redes neurais, fazer uma análise que permita ao dispositivo lidar, sem intervenção humana, com qualquer imprevisto. "Entre as características que o diferenciam, está a capacidade de ser controlado por 4G e 5G", explica Dário, que refere ainda a possibilidade de a tecnologia poder ser usada para o transporte urgente de órgãos. "Hoje, já temos um produto, o Heifu", diz, explicando que não só conseguiu aumentar o tempo de autonomia em 20%, como será uma ferramenta que permite "resolver múltiplos problemas na área dos transportes".

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