Da mobilidade à saúde, é assim que cinco fazedores estão a mudar o mundo

Cinco vencedores dos prémios Altice Innovation Awards, que estiveram esta manhã na conferência que assinala o 10ª aniversário do Dinheiro Vivo, apresentaram os seus projetos e a evolução que têm conquistado.
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Criatividade e inovação marcam as ideias apresentadas por cinco empreendedores portugueses na conferência "O Futuro é dos Fazedores", que assinala o 10º aniversário do Dinheiro Vivo com um conjunto de conversas e pitchs no Mercado da Ribeira, em Lisboa. O destaque da manhã desta terça-feira foi para a apresentação de cinco projetos vencedores dos Altice Innovation Awards, a sua evolução no tempo e os objetivos que pretendem atingir.

Na saúde, a experiência real de cancro da mama vivida por um familiar inspirou Francisco Nogueira, fundador da Glooma, a procurar na tecnologia uma solução para combater a doença. "A minha prima foi diagnosticada com cancro da mama. Quando sentiu algo no peito, desvalorizou completamente", começou por enquadrar. O diagnóstico tardio levaria à necessidade de remoção da mama, um cenário que Francisco Nogueira quer ajudar a evitar.

Para isso, criou uma luva inteligente de palpação que pode ser usada para a monitorização regular de forma autónoma e que é complementada por uma aplicação móvel. É através desta solução que qualquer pessoa pode ser informada caso a luva detete alguma alteração física anómala, emitindo alertas ao utilizador e recomendado a visita a um médico. "É um complemento à palpação, não substitui os exames de diagnóstico ou complementares", explica o fundador. Desde a vitória dos prémios de inovação atribuídos pelo operador de telecomunicações, a Glooma conseguiu expandir a sua equipa e começar a trabalhar num protótipo que possa ser industrializado e, mais tarde, comercializado de forma generalizada.

Já Inês Rito Lima, da Neural Motor Behaviour in Extreme Driving, recorreu a pilotos profissionais de alta competição para recolher dados através de diferentes sensores colocados a bordo de um automóvel. Com estes dados, que analisam todo o comportamento ao volante, a empreendedora espera conseguir analisá-los com a ajuda de inteligência artificial e utilizá-los para treinar um sistema de condução autónoma. "Isto é muito interessante para o desenvolvimento de veículos autónomos", afirma, já que poderá contribuir para robustecer sistemas de condução capazes de reagir a cenários de perigo iminente, como um despiste ou uma derrapagem à chuva.

Depois de ter visto o seu projeto reconhecido nos Altice Innovation Awards, que tiveram "grande impacto na evolução" da ideia, Inês Rito Lima desenvolveu, entretanto, um protótipo que espera vir a testar "em breve".

Ainda no campo da mobilidade, a Meight desenvolve uma solução tecnológica para "o sector de transportes e mercadorias" para "melhorar a eficiência" de empresas que, diz, lidam com margens de lucro reduzidas. "Uma simples aplicação para um motorista consegue alterar o comportamento de condução e com isso conseguimos melhorar a eficiência", diz o fundador Luís Mendes. Entre os dados recolhidos, estão informações como o consumo de combustível e as emissões de CO2. Por outro lado, além de servir como ferramenta de auxílio à condução, esta app pretende "ligar toda a supply chain".

A presença no evento que assinala o aniversário do Dinheiro Vivo foi aproveitada por Luís Mendes para anunciar a conquista de mais uma ronda de financiamento de 1,3 milhões de euros, valor conseguido através de "investidores que conhecemos na Web Summit".

Da estrada para o céu, o projeto Collision Avoidance on Unmanned Aerial Vehicles using Deep Neural Networks, criado por Dário Pedro, trabalha algoritmos para veículos autónomos como drones. A ideia é "percecionar algoritmos em movimento, como uma bola atirada contra um drone ou um pássaro que entra em colisão com o drone" e, com recurso a três redes neurais, fazer uma análise que permita ao dispositivo lidar, de forma autónoma, com qualquer imprevisto. "Tem várias características que o diferenciam. Uma delas é a capacidade de ser controlado por 4G e 5G", explica Dário Pedro, que refere ainda a possibilidade de a tecnologia poder vir a ser usada para o transporte urgente de órgãos.

"Hoje em dia já temos um produto, o Heifu", diz, orgulhoso, explicando que não só conseguiu aumentar o tempo de autonomia em 20%, como será uma ferramenta que permite "resolver múltiplos problemas na área dos transportes".

Vencedora dos Altice Innovation Awards em 2017, a Mater Dyanmics é uma startup na área da nanotecnologia e procura converter objetos do quotidiano, não eletrónicos, em dispositivos inteligentes. "Convertemos produtos não eletrónicos em produtos inteligentes, como caixas ou paletes de madeira", explica o fundador Tiago Cunha Reis. "Para nós, os produtos e as embalagens são Gateways físicos para melhorar a experiência do consumidor", acredita. Stamply é o nome de um dos produtos já desenvolvidos e pode ajudar no processo de inovação das empresas, que podem, diz a startup, ver os custos reduzidos. "Estamos a criar um polo de conhecimento gratuito em que se possa aprender coisas como data science", esclarece o responsável, que confirma ainda a intenção de continuar a inovar e a transformar produtos já existentes, dando-lhes uma nova vida.

A conferência "O Futuro é dos Fazedores" continua a decorrer no Estúdio TimeOut, no Mercado da Ribeira, onde haverá tempo para debater o futuro e o empreendedorismo.

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