Balada do Desajeitado e Luísa foram o bilhete de entrada dos D.A.M.A. no mundo da música, e o tiro no escuro da Sony deu certo - entraram logo para o terceiro lugar do top nacional, onde se mantêm. Têm milhões de visualizações no YouTube e mais de 70 mil fãs na página do Facebook. Tocaram para 65 mil pessoas no Estádio do Dragão em julho, depois de terem sido escolhidos para fazer a primeira parte dos ingleses One Direction. Como é que isto aconteceu?
"Ainda sem agência nem editora fizemos uma maquete de quatro músicas. A Glam ouviu e viu o potencial, decidiu investir, o resto foi natural", resume ao Dinheiro Vivo Miguel Coimbra, um dos três membros da banda, com Miguel Cristovinho e Francisco Pereira.
Há um mês, quando o primeiro álbum Uma questão de princípio foi editado, apareceram faixas por vários sítios da capital a dizer "Eu sou fãs dos D.A.M.A." Não foram eles, e não sabem quem foi. Não só conquistaram a Sony com duas músicas, como estabeleceram uma relação especial com os fãs. As redes sociais são a chave de tudo: fazem os fãs sentirem-se parte de uma família. Respondem a (quase) todas as mensagens, escolhem o que é publicado e acedem a pedidos estranhos - como cantar os parabéns em vídeo a desconhecidos ou gravar músicas para casamentos de fãs.
"É por isso que as pessoas querem seguir os D.A.M.A., sabem que somos nós que pomos as coisas e que respondemos", diz Miguel Cristovinho. "Respondemos pessoalmente porque queremos mesmo que os fãs sintam que não somos inalcançáveis. A seguir aos concertos estamos três horas a dar autógrafos, a tirar fotografias e a cantar para as pessoas", complementa Francisco Pereira. "Não somos nada sem fãs."
E não é apenas retórico. Os D.A.M.A. sabem que têm de cultivar esta relação para serem um projeto lucrativo. A simpatia até pode ser orgânica, mas foi a melhor decisão de negócio que tomaram. "Do ponto de vista do negócio, isso é uma coisa muito importante - ter uma relação direta com os fãs. E todos sabemos disso", analisa Miguel Coimbra, licenciado em gestão e o homem da produção na banda. "Vivemos desta loucura dos fãs para conseguir mais espetáculos, e bons espetáculos geram mais espetáculos", acrescenta, embora ressalve: "Ter este cuidado com os fãs é uma coisa que nos dá imenso gosto e imenso prazer."
Até ao final do ano, têm todos os fins de semana agendados com concertos, em alguns casos dois no mesmo dia. "O nosso modelo de negócio está nos concertos. É isso que está a gerar dinheiro e a permitir ter um balanço em caixa para poder continuar a reinvestir", revela Coimbra. Todos cresceram nos anos 90 e conhecem bem o mercado. Os portugueses compram tão pouca música que basta vender 80 cópias para estar no top do iTunes.
"A venda de músicas vai cair cada vez mais, até porque a venda de discos tem tendência para acabar", reconhece Coimbra. Os serviços de streaming, como o Spotify, ainda não são muito rentáveis, mas a banda acredita que serão o futuro. "Ou então, os preços dos bilhetes vão começar a ser incomportáveis", arrisca Francisco Pereira. "As pessoas não pagam 10 euros pelo CD, pagam 20 pelo concerto." E isto é algo que ninguém quer ver acontecer.