D’Avenue Clinic. Consultórios com cara de casa

Sónia sonhava com um negócio próprio mas nunca pensou em investir em saúde. Até ao dia em que se lembrou de transformar uma clínica num apartamento.
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O cheiro a frutos vermelhos chega ao corredor do primeiro andar do número 177 da avenida da Liberdade, em Lisboa. Sónia Bugan, fundadora da D’Avenue Clinic, explica. “Todos os gabinetes da clínica têm um toque de casa - um móvel, um sofá - para terem um ar mais de apartamento, para não parecer tão clínica”, justifica.

Há um ano, Sónia decidiu investir o dinheiro que resultou da venda da casa dos pais no segundo negócio, uma nova clínica “com cara de apartamento”, no centro de Lisboa. O negócio começou uns anos antes quando, desafiada por uma médica com quem trabalhava, decidiu alugar e explorar uma clínica em Algueirão. “Venho de famílias de negociantes, que sempre trabalharam por conta própria. A minha mãe tinha negócios ligados à restauração e eu sempre, desde pequena, disse que um dia queria ter o meu negócio”, conta ao Dinheiro Vivo.

Por isso, depois de ter começado a trabalhar exatamente no mesmo número da mesma avenida, em 2004, o interesse e empenho na primeira clínica onde trabalhou levaram a que passasse, rapidamente, de funcionária administrativa a gestora. Em 2011, decidiu sair para fundar o primeiro negócio.

“Na altura, até pensei desafiar uns primos a abrir uma empresa mais ligada à hotelaria, uma área mais comum na minha família”, recorda. Só que essa altura coincidiu com o desafio da médica com quem trabalhava na clínica de Lisboa. “‘E não gostava de abrir uma clínica?’, perguntou-me. Arriscou no negócio, uma área que nunca tinha pensado mas na qual trabalhava desde 2004. Estávamos em 2011 e o negócio arrancou bem.

“Não foi muito difícil porque é uma clínica pequenina e, apesar de não trazer muitos clientes, já tinha a bagagem na gestão. Sabia como funcionavam coisas como parcerias e seguros. Obviamente torna-se mais difícil quando é o nosso negócio. Temos poucos clientes, é um sítio mais pequeno mas as pessoas veem-nos com olhos diferentes, parecemos todos amigos uns dos outros. Na clínica, recebemos os nossos amigos”, explica.

Tal foi o sucesso que os amigos queriam ter Sónia mais perto de onde muitos trabalhavam. “Perguntavam-me muitas vezes quando abria em Lisboa.” Tal foi a insistência que Sónia começou à procura. Um dia, enquanto passava na avenida da Liberdade, olhou para a janela do prédio onde trabalhara. Na janela, uma placa: “Aluga-se.” O consultório que pertencia a dois médicos e onde Sónia tinha trabalhado até fundar o próprio negócio estava para arrendar. Apressou-se a falar com os donos, fez contas e, em setembro de 2014, começou as obras de recuperação do espaço. Quatro meses depois, inaugurava a D’Avenue Clinic, em janeiro de 2015, no mesmo espaço onde, em 1942, tinha sido inaugurada pela primeira vez... uma clínica.

“A minha ideia de abrir em Lisboa uma clínica que não cheirasse, nem tivesse ar de clínica. Era para parecer mais apartamento mesmo, senão era mais uma igual a todas as outras”, esclarece. Por isso, a clínica pintada de branco parece mesmo um apartamento, com direito a convite para café na sala de espera e com cheiro a casa.

Com um investimento de 300 mil euros e uma expectativa de retorno de investimento num prazo de cinco anos, Sónia conta que, na maioria das vezes, as pessoas ainda não procuram a clínica por não parecer uma clínica.

“A maioria das pessoas não sabe que vem para uma clínica diferente. Acontece-nos muito estarem clientes a tratar da ficha e começarem a olhar para trás, para a sala, corredores, admirados com a diferença. As pessoas procuram, primeiro, uma clínica que esteja próxima dos locais por onde andam durante o dia, pela sua localização. Mas claro que já nos aconteceu termos clientes que vêm por recomendação de outros, que ficaram surpreendidos com o conceito.”

Da lista de 21 profissionais médicos estão especialistas em psicologia, dermatologia, cosmética, terapia da fala, dentistas, higienistas e até clínicos gerais.

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