De São Jorge para Alemanha, Grécia e Bélgica.Lidl exporta atum dos Açores

A cadeia de retalho alimentar está a exportar atum dos Açores para Alemanha, Grécia e Bélgica. Já seguiram mais de 98 mil unidades.
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A ilha de São Jorge está a seguir para a Alemanha, Grécia e Bélgica atum dos Açores para as lojas do Lidl nestes mercados. Desde março, já foram exportados mais de 98 mil latas de atum Santa Catarina, mas até ao final do ano a expectativa é chegar às 100 mil unidades para estes países e também para o Chipre, estando a cadeia de retalho alimentar ainda a estudar novos mercados. Até maio, o peso da exportação da conserveira açoreana já se situava nos 30%.

Há 10 anos que a cadeia de retalho alimentar alemã tem uma ligação com a Santa Catarina, para quem a conserveira açoreana produz quatro artigos - filete atum dos Açores ao natural (150g), filetes de atum dos Açores natural (120g), atum posta natural dos Açores (120g) e atum posta azeite dos Açores (120g) - para a marca própria do Lidl, a Nixe, a "única insígnia que tem Atum dos Açores de marca própria". A conserveira também produz o atum de primeiro preço, a Bela Aurora.

"As exportações de atum com a conserveira Santa Catarina já estavam a ser planeadas há algum tempo, antes da situação de pandemia do covid-19", adianta Bruno Pereira, administrador de compras do Lidl Portugal. "A exportação através do Lidl com este parceiro iniciou-se em março deste ano, com a sua marca Santa Catarina, com os filetes de Atum condimentados em azeite com funcho, com tomilho e com orégãos, estando já presentes nas nossas lojas na Alemanha, Grécia e Bélgica", adianta o responsável.

"Optámos por começar com a exportação de filetes de atum condimentados - em azeite com funcho, com tomilho e com orégãos – pois são produtos diferenciadores e como tal, captam a atenção do consumidor. Acreditamos que a competitividade dos nossos artigos nacionais deve ser alcançada pela sua qualidade e diferenciação, pois não nos é possível, e não temos o propósito, de combater a oferta dos outros países exclusivamente pelo preço", justifica Bruno Pereira.

Os produtos, além de recorrerem "a uma técnica de pesca artesanal, através da técnica de pesca salto e vara, e possui o selo de certificação Dolphin Safe, atestando sua a sustentabilidade, ou seja, durante a sua pesca não foram capturados ou mal-tratados mamíferos marinhos", apresentam ainda uma "outra curiosidade". "As ervas aromáticas, neste caso o tomilho, tem origem nas fajãs de São Jorge, onde são cultivadas diferentes condimentos e ervas aromáticas.

Apenas desde março no circuito de exportação do Lidl, o envio do atum Santa Catarina para as lojas fora de Portugal está ainda "numa fase inicial, mas acreditamos que a resposta será positiva". Até agora já seguiram para a Alemanha, Grécia e Bélgica 98.700 latas. Número que contam que venha a subir ainda em 2020. "Até ao final do ano, prevemos exportar cerca de 100.000 latas de atum de Santa Catarina, para a Bélgica, Grécia e Chipre e para novos mercados ainda em negociação", adianta o administrador de compras do Lidl Portugal.

O Atum Santa Catarina foi um dos produtos que entraram este ano na lista de exportações do Lidl que, só no ano fiscal passado enviou 228 referências de produtos made in Portugal para as lojas da cadeia em 27 países.

Este ano há planos para estender o número de categorias a novos produtos nacionais. "Estamos a avaliar a possibilidade de exportar alguns queijos nacionais, de acordo com critérios já identificados - capacidade dos produtores e interesse dos mercados externos onde estamos presentes", refere Bruno Pereira.

Exportações e pandemia aumentam produção de conservas

As conservas foi uma das categorias que viu subir vendas durante as fases iniciais da pandemia do covid-19. O que também ajudou às vendas do atum Santa Catarina.

"Numa primeira fase, registou-se inicialmente uma procura maior de bens alimentares, inclusive na categoria de conservas, onde se inclui o atum. Entre o atum disponível nas nossas lojas, inclui-se a nossa marca própria Nixe, com vários artigos, incluindo atum dos Açores, produzido pela conserveira Santa Catarina", admite o administrador de compras do Lidl. "Uma vez decretado o Estado de Emergência e percecionado pelos cidadãos que não havia de facto problemas de abastecimento no retalho, os consumidores optaram por fazer um maior planeamento das suas reais necessidades e verificou-se uma estabilização progressiva do consumo nas diversas categorias, com uma menor frequência na ida às lojas e um registo superior de volume de compras por deslocação".

Na fábrica da conserveira Santa Catarina em São Jorge não houve mãos a medir. "Foram dias de muito stress, provocado pela necessidade de responder às encomendas que tiveram um aumento exponencial durante três semanas, aplicar os planos de contingência e gerir o medo da pandemia em contexto de trabalho, mas, felizmente não tivemos qualquer caso de infeção na nossa organização. Aqui, os nossos colaboradores foram excecionais, na entrega e sacrifício que implementaram para responder positivamente ao mercado", adianta Rogério Veiros, presidente do conselho de administração da conserveira Santa Catarina.

"É preciso não esquecer que a Santa Catarina é uma fábrica que fica na ilha de São Jorge, nos Açores, para onde só há barco uma vez por semana, logo, o desafio logístico de responder a uma procura de curto prazo é mais difícil para nós. Pelo meio ainda tivemos uma greve do Porto de Lisboa que nos dificultou mais a nossa ação", refere.

Mas as vendas 'compensaram'. "Só no Lidl as vendas no mês de março quadruplicaram face à média mensal de 2019", adianta Rogério Veiros. "O primeiro preço teve a maior procura e estamos a falar de uma quantidade muito elevada. Só numa das referências andou próximo de meio milhão de latas de 120g, num espaço de poucos dias".

Este ano contam regressar aos crescimentos da faturação: objetivo 20%. "O ano de 2019 foi marcado por uma evolução positiva na produção, conseguimos finalmente acelerar a nossa produção, fruto de investimentos e pequenas alterações cirúrgicas na nossa fábrica. Ao nível da faturação, tivemos um ano atípico, pois não conseguimos manter a trajetória que vínhamos acumulando de crescimentos desde 2016, de 10% ao ano", refere o presidente do conselho de administração da Santa Catarina. "Esta trajetória foi quebrada em 2019, por razões de estratégia comercial e de posicionamento em relação a determinados mercados, contudo, em 2020 contamos retomar o crescimento de 10% e recuperar o perdido em 2019, onde o nosso objetivo é ambicioso, crescer em torno dos 20%."

E para isso a entrada em novos mercados, através do Lidl, vai dar contributo. "Esperamos um ano com crescimento de vendas no mercado doméstico e na exportação junto do Lidl, para novos mercados onde esta cadeia detém presença. A Santa Catarina tem como objetivo crescer este ano 20% no seu volume de negócios e fechamos o mês de maio dentro desse padrão de crescimento, logo, contamos poder ter aqui uma alavancagem nas vendas junto do nosso cliente e parceiro Lidl dentro desta percentagem de crescimento", adianta o responsável da conserveira de São Jorge.

Ainda assim, deixa um alerta. "É preciso ter cuidado na análise às vendas de conservas, tendo em conta, o efeito da pandemia, pois se em março tivemos crescimentos exponenciais, é preciso não esquecer que o consumidor final, preencheu a sua dispensa e a distribuição reforçou o produto em armazém. Além disso, o mundo está diferente e os hábitos de consumo estão diferentes, logo, podemos ter surpresas e neste momento a procura no mercado doméstico já abrandou, em alguns casos está a ter uma inversão".

Mas há boas expectativas quanto ao mercado externo. "Este ano estamos com valores de exportação de 30% já com o acumulado de maio. Por tradição, exportamos muito para Itália, as conservas dos Açores são muito apreciadas neste mercado, com o qual, temos uma relação histórica, mas estamos a crescer muito em mercados como o Reino Unido, EUA e para o centro da Europa. Com a parceria com o Lidl estamos a diversificar ainda mais este leque em países onde a cadeia está presente", considera Rogério Veiros.

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