Deco quer gás de garrafa a custar menos de 20 euros até ao fim de maio

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Associação de Defesa do Consumidor considera que há condições para o preço começar a baixar já este mês e atingir os seis euros ou mais de corte até ao fim de maio

A Associação de Defesa do Consumidor acredita que há condições para o preço do gás de garrafa descer 6 euros, pelo menos, até ao final do mês de maio. A associação baseia-se na descida do preço do petróleo, que passou de quase 70 dólares o barril, no final de 2019, para menos de 30 dólares no início de abril, lembrando que isso se reflete nas cotações dos derivados, como gás. Como tal, sublinha a associação, "é expectável uma descida do preço do gás engarrafado já este mês" sendo que a descida, até ao final de maior, terá de ser de "seis euros ou mais" em cada garrafa de gás.

A informação consta do mais recente estudo da Deco Proteste sobre o tema da energia, no qual explica que o preço de venda das garrafas de gás é, habitualmente, atualizado com um "desfasamento de cerca de dois meses" face ao preço de referência. E, por isso, diz, "está na altura de refletir a queda dos preços ocorrida em fevereiro e março e contrariar a resistência às descidas verificadas no passado".

A associação recorreu ao indicador de preço de venda ao público da ENSE (Entidade Nacional para o Setor Energético), bem como ao preço de referência, que reflete as alterações ocorridas no preço da matéria-prima, assim como os custos associados ao frete, às taxas e aos impostos sobre esta componente. E conclui que "torna-se evidente que já este mês é expectável que se comece a refletir a descida e que o preço da botija de gás, atualmente num valor médio de 26 euros, se aproxime dos 23 euros".

Mais, esta baixa terá de se prolongar em maio, para "continuar a acompanhar" a queda ocorrida nos derivados do petróleo. "Daí apontarmos para valores inferiores a 20 euros, por garrafa, até finais de maio. Estes valores podem inclusive ser atingidos mais cedo: o aumento do consumo doméstico, devido ao confinamento a que estamos sujeitos, pode levar a que os stocks existentes sejam escoados mais rapidamente", considera a associação.

A Deco pede, ainda, aos consumidores que ajudem a controlar e denunciar eventuais casos de especulação nos preços, através do uso da plataforma Poupe na botija, na qual é possível indicar o preço que paga pelo gás engarrafado na zona onde vive. "A contribuição de todos é fundamental, para conseguirmos monitorizar os preços", sublinha a associação.

"Dada a descida referida, o que não pode de todo acontecer é os preços manterem-se e muito menos aumentarem. Relembramos às autoridades competentes o seu dever de regulação, fiscalização e punição. São os meios disponíveis para que comportamentos especulativos sejam evitados e os consumidores dependentes do gás engarrafado não sejam ainda mais penalizados nesta crise", pode ler-se no estudo. A associação relembra que o gás é um mercado em que vigora um regime de preços vigiados, pelo que, compete ao Estado "garantir essa vigilância e atuação célere".

Se não se verificar uma descida dos preços, a Deco considera mesmo que "deverão ser pensadas outras formas, mais musculadas, de preservar a defesa dos interesses dos consumidores" já que não existe qualquer "tarifa regulada de salvaguarda" no mercado do gás engarrafado, ao contrário do que acontece na eletricidade ou no gás natural.

Por fim, a associação pede, ainda, aos consumidores que a alertem, através do endereço de e-mail correioleitores@deco.proteste.pt, se tiverem dificuldade em comprar gás engarrafado: "De facto, o acesso a este produto pode estar em causa devido ao encerramento de uma esmagadora maioria de pontos de venda da rede de retalho. Queremos acompanhar esta situação, para garantir que não é posto em causa um dos pilares de base de um serviço público essencial".

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