João Soares foi ministro da Cultura durante pouco mais de quatro meses, ocupando uma pasta que, publicamente, ficou marcada por uma polémica demissão do presidente do CCB e por um périplo pelo país, de contacto com agentes culturais.
João Soares tomou posse com ministro da Cultura a 26 de novembro e demitiu-se hoje, um dia depois de ter ameaçado dar "salutares bofetadas" a Vasco Pulido Valente e a Augusto M. Seabra, por causa de artigos de opinião que estes escreveram no jornal Público.
Para o dia 19, João Soares tinha agendada uma audiência parlamentar onde prestaria esclarecimentos precisamente sobre um dos temas polémicos do seu curto mandato na Cultura: A demissão de António Lamas da administração do Centro Cultural de Belém, por causa do projeto de gestão integrada do chamado "eixo Belém-Ajuda".
Nestes quatro meses à frente do Ministério da Cultura, no qual assumiu também a tutela da comunicação social, João Soares desdobrou-se em contactos com estruturas e agentes culturais pelo país e defendeu um projeto político para a Cultura "para além da análise das 'finançazinhas'", em diálogo com a administração central e regional e num lógica de solidariedade inter-ministerial.
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O ministro da Cultura, João Soares. Foto: Neverfall/Global Imagens[/caption]
Em fevereiro, na discussão da proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2016 no Parlamento, João Soares dizia que o setor cultural tinha de ser encarado para lá de uma "análise de contabilidade" orçamental e que gostaria de ter mais recursos financeiros para aplicar no setor.
Além da polémica no CCB - para onde nomeou Elísio Summavielle para o lugar de António Lamas -, João Soares deixou claro que queria manter em Portugal "para todo o sempre" o acervo de obras de Joan Miró, que pertencia ao antigo BPN, que queria expôr em Serralves, mas não chegou a anunciar qualquer decisão.
Também defendeu a permanência em Portugal das obras da pintora Maria Helena Vieira da Silva, pertencentes ao colecionador Jorge de Brito, propondo uma permuta das obras por terrenos pertencentes ao Estado.
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João Soares, ministro da Cultura. Fotografia: Neverfall/Global Imagens[/caption]
Reconduziu Luísa Taveira na direção artística da Companhia Nacional de Bailado, nomeou Isabel Cordeiro para a administração do CCB, Paula Silva e David Santos para a Direção-Geral do Património Cultural e Carlos Vargas para presidente da administração do OPart - Organismo de Produção Artística.
No Porto, João Soares nomeou Ana Pinho Macedo Silva para presidir o conselho de admninistração da Fundação Serralves.
Nascido em Lisboa em 1949, filho de Mário Soares e Maria de Jesus Barroso, João Soares era editor, foi deputado na Assembleia da República entre 1987 e 1990, presidente da câmara de Lisboa entre 1995 e 2002 e a partir de então novamente deputado.
Membro da sociedade maçónica Grande Oriente Lusitano desde 1974, João Soares integrou ainda o Conselho de Estado de 1998 a 2002 e foi membro do Parlamento Europeu em 1994 e 1995.
No Ministério da Cultura, João Soares contava com Isabel Botelho Leal como secretária de Estado.