Depois do anúncio de saída, Brico Dépôt fica "definitivamente" em Portugal. "É mercado atrativo"
Há cerca de dois anos a Kingfisher, o grupo dono da cadeia Brico Dépôt anunciou a intenção de sair do mercado nacional. Agora o grupo acaba de anunciar a abertura da sua loja online e a distribuição para Portugal continental. Quer "definitivamente" ficar em Portugal. "É um mercado atrativo para nós e pretendemos continuar a melhorar a nossa oferta ao cliente português", garante Mike Foulds, CEO de Brico Dépôt Iberia, ao Dinheiro Vivo. Em Portugal o grupo tem três lojas - Loures, Sintra e Vila Nova de Gaia - e dá emprego a cerca de 200 colaboradores.
A intenção revela uma reviravolta em relação ao anuncio feito em novembro de 2018. O estava de saída de Portugal, Espanha e Rússia. "Estamos a operar num ambiente de retalho difícil. Enfrentamos desafios e estamos a endereçá-los", disse na época Véronique Laury, CEO da Kingfisher, citada pelo Guardian. Sair dos mercados português, espanhol e russo irá permitir ao grupo "aplicar a nossa estratégia com maior foco e eficiência nos nossos principais mercados onde temos, ou podemos alcançar, liderança de mercado". Na época, segundo noticiou o Guardian, o mercado português tinha gerado perdas a rondar os 2 milhões de libras, anulando lucros de 2 milhões de libras em Espanha. De acordo com o Guardian, as lojas continuariam a operar enquanto o grupo procura potenciais compradores.
Agora, "o objetivo da Brico Dépôt é apostar a longo prazo em Portugal", garante Mike Foulds, CEO de Brico Dépôt Iberia.
O grupo mudou sua estratégia?
Não mudou, a estratégia da Brico Dépôt evoluiu para se adaptar ao mercado e continuar ao lado de um consumidor em constante evolução. Neste sentido, tanto a abertura do E-commerce como o próximo lançamento da APP refletem o interesse da Brico Dépôt em estar ao lado dos clientes profissionais e particulares, oferecendo-lhes sempre produtos com a melhor qualidade-preço de uma forma mais acessível e confortável: compre na loja, compre na loja pela app sem estar na fila, compre online com recolha na loja, ou entrega em casa ou no local.
A Brico Dépôt pretende permanecer em Portugal?
Definitivamente. É um mercado atrativo para nós e pretendemos continuar a melhorar a nossa oferta ao cliente português.
Que razões motivaram esta decisão? Falta de compradores para as lojas?
O oposto. O objetivo é oferecer aos profissionais e amantes da bricolagem que vivem ou trabalham longe dos três pontos de venda da Brico Dépôt a possibilidade de beneficiarem de mais de 8.000 produtos de bricolagem com a melhor relação qualidade/preço, de forma rápida e ágil. Toda a estratégia digital é totalmente complementar às lojas físicas e depende das mesmas.
Quais são os planos para este mercado? Pretendem manter as lojas atuais, expandir a rede? Qual é o investimento esperado?
O objetivo da Brico Dépôt é apostar a longo prazo em Portugal e nos restantes países, continuar a trabalhar para oferecer sempre a melhor oferta aos clientes.
Quais são as expectativas de procura para este novo serviço de ecommerce?
A Brico Dépôt está muito otimista quanto ao crescimento da sua loja online nos próximos meses, visto que é um claro complemento ao ponto de venda físico e permite-nos chegar a clientes em todo o território nacional. Sem dúvida, a alternativa Click & Collect também será muito interessante para o cliente profissional que mora perto de lojas físicas, que prefere comprar online com calma a qualquer hora e recolher o pedido em 1 hora.
Como evoluíram as vendas da Brico Dépôt durante esta fase pandémica?
Com os nossos clientes a querer apostar nas suas casas durante este período, tivemos a sorte de os receber nas nossas lojas, vimos uma tendência positiva nas compras e na experiência do cliente e os nossos colaboradores foram brilhantes na forma como geriram os clientes com toda a segurança, durante este período.
Qual a situação atual do grupo aqui em Portugal: ao nível dos colaboradores, faturação...?
A Brico Dépôt tem mais de 200 colaboradores em Portugal que trabalham nas suas três lojas físicas: Loures, Sintra e Vila Nova de Gaia. A situação atual é boa, com um bom caminho nas vendas que nos deixa otimistas para o futuro.
