Desastroso: Meta afunda 20% em bolsa depois de segunda quebra trimestral consecutiva

Só a divisão Reality Labs, que está a desenhar as tecnologias para o futuro metaverso, já teve prejuízos de 9,4 mil milhões este ano.
Publicado a

O relatório trimestral da Meta para o período findo em setembro não foi o que os analistas esperavam e certamente não o que os investidores desejavam. A casa-mãe do Facebook reportou o segundo trimestre consecutivo de declínio e as ações estiveram a cair quase 20% nas trocas fora de horas, sinalizando o profundo desconforto de Wall Street com os números da gigante de Mark Zuckerberg.

As receitas caíram 4% para 27,71 mil milhões de dólares e o lucro operacional tombou 46% para 5,66 mil milhões de euros, ambos sinais preocupantes num ambiente claramente difícil. A margem operacional caiu de 36% para 20% e os lucros líquidos recuaram 52% para 4,4 mil milhões de dólares. Um cenário desastroso que levou as ações da empresa a cotarem nos níveis mais baixos que se viram desde março de 2016, quando Barack Obama ainda era presidente.

Zuckerberg reconheceu a dificuldade do momento, apesar de salientar que a empresa continua a crescer em utilizadores.

"A nossa comunidade continua a crescer e estou satisfeito com o forte envolvimento que estamos a ver impulsionado pelo progresso do motor de descoberta e produtos como o Reels", sublinhou o CEO. "Embora enfrentemos desafios de receitas no curto prazo, os fundamentos estão aqui para um regresso a um crescimento das receitas mais forte", considerou. "Estamos a abordar 2023 com foco nas prioridades e eficiência que nos vão ajudar a navegar o atual ambiente e emergir como empresa ainda mais forte."

Mas a orientação dada pela Meta para o próximo trimestre também dececionou, com um intervalo de receitas esperadas entre os 30 e os 32,5 mil milhões, abaixo do esperado.

E houve alguma coisa positiva na unidade Reality Labs, que comanda o desenho do ambicioso futuro no metaverso que Mark Zuckerberg antecipa? Também não. As receitas da divisão caíram para quase metade (285 milhões) e os prejuízos cresceram para 3,67 mil milhões. Só este ano, a Reality Labs já perdeu 9,4 mil milhões de dólares, uma sangria que continua a preocupar os investidores mas que não tem fim à vista. A própria Meta antecipou isso na declaração do relatório.

"Antecipamos que as perdas operacionais da Reality Labs cresçam de forma significativa em 2023. Depois de 2023, esperamos regular o ritmo de investimentos de modo a que possamos atingir o nosso objetivo de fazer crescer o lucro operacional da empresa no longo prazo."

A temporada de resultados tem sido negativa para as tecnológicas e redes sociais, com relatórios dececionantes de gigantes como a Alphabet (Google) e Snap. Hoje, é a vez da Apple.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt