Os bancos têm vindo a diminuir o valor da avaliação por metro quadrado que atribuem às habitações para compra e venda, dificultando, também por esta via, o acesso ao crédito bancário e agravando a crise do mercado da habitação, alertou ontem a Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços (AECOPS). Em termos médios nacionais, sublinha a AECOPS, a quebra homóloga do valor da avaliação bancária ultrapassa já os 4%, sendo que a região mais afectada é a de Lisboa, onde o decréscimo atinge os 5,6% por metro quadrado. No Alentejo e no Algarve as descidas são de, respectivamente, 3,5% e de 3,3%. "A atribuição de um valor mais baixo às casas surge como uma nova medida de restrição ao crédito para compra de casa e, consequentemente, de penalização do mercado residencial, que tem sido o mais afectado pela crise na construção, como está bem expresso pelos dados relativos ao licenciamento de novos fogos, que caíram 31,3% no primeiro semestre do ano face a igual período de 2010", refere o comunicado da AECOPS.A consequência da "difícil situação" do segmento da habitação, a par da queda, "cada vez mais acentuada", das obras adjudicadas e lançadas a concurso, é o agravamento do desemprego no sector, que representa já 14,4% do total nacional. Por outro lado, a difícil conjuntura do sector reflecte-se, também, no tecido empresarial, com o desaparecimento de 1446 empresas no último ano.