Despedido? Disse o que não devia no FB

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Se digitar "despedimentos

por" no motor de pesquisa do Google, a função preditiva

imediatamente completa com "despedimentos por causa do Facebook."

A frase tem sido cada vez mais pesquisada precisamente porque há

cada vez mais casos de despedimentos, processos disciplinares ou

outros problemas no trabalho devido à rede social.

Em fevereiro deste ano,

uma norte-americana foi despedida depois de levar para o Facebook a

frustração de não ter sido promovida. "Este sítio é uma

palhaçada! Pergunto-me se terei desperdiçado uma boa oportunidade

ao ter vindo para cá. Detesto absolutamente pessoas falsas e

preguiçosas!!! Ugh, os que realmente trabalham são os culpados???

Mas que raio? #MentesRetorcidas", escreveu Jessica Bibbs.

Nunca

nomeou o local de trabalho, a clínica Ideal Physical Therapy, mas

vários colegas também são amigos no Facebook e leram a publicação.

A direção da clínica negou que essa tivesse sido a causa de

despedimento de Bibbs, que em janeiro tinha sido eleita "Empregada

do Mês. "

Os exemplos sucedem-se. Há

a professora que foi despedida por publicar uma foto com duas bebidas

alcoólicas na mão; o professor que foi convidado a sair porque

escrevia comentários dúbios nas fotos de alunas suas, tais como

"essa roupa é sexy"; a funcionária de uma seguradora suíça

que não foi trabalhar por sofrer de enxaquecas e depois apareceu a

surfar no Facebook; a empregada de mesa que insultou dois clientes na

sua página por deixarem uma gorjeta de baixo valor; ou a cheerleader

que foi demitida por causa de uma foto em que aparecia com um

marcador junto a uma pessoa seminua e adormecida com cruzes suásticas

desenhadas no corpo e frases anti-semita, como "Eu sou judeu."

Há dois anos, a Sábado

relatou o caso de um trabalhador da TMN que diz ter sido despedido

depois de desabafar sobre a PT no seu perfil.

"Penso q é muito

triste a ofensiva que o Grupo PT está a ter perante os clientes...

uma grande empresa a enganar com engodo e impingir aos clts produtos

a torto e a direito... se querem testar basta ligar para a linha de

apoio a clts e vão ver como são bombardeados com meras "sugestões

comerciais" não dando indicação das características correctas

do produto e sugerindo preços promocionais (por meros 2 meses)

perante fidelizações de 12 a 24 meses", foi o que escreveu.

Diz

ter sido demitido sob o pretexto de ter colocado um cliente "em

espera" enquanto acedia ao Facebook. Estava na empresa há nove

anos.

Daniel Reis, sócio da PLMJ na Área Telecomunicações, Media

e Tecnologias de Informação e especialista em Proteção de Dados,

alerta que a informação que estiver publicamente disponível pode

ser usada contra o trabalhador. "Se a informação estiver de

alguma forma relacionada com a relação laboral do utilizador com a

entidade empregadora, essa informação poderá ser utilizada por

esta. Há inúmeros casos de processos disciplinares que foram

instaurados contra trabalhadores, relacionados com informação

colocada em redes sociais", frisa.

Mesmo quando as

definições de privacidade estão definidas de forma restritiva,

quem tiver acesso à informação pode usá-la. O Facebook não se

trata de uma rede fechada nem privada, pelo que tudo o que escrever

nela pode ser usado contra si. Há várias empresas com códigos de

conduta e recomendações para o uso de redes sociais, sendo que o

conselho mais comum é "usar o bom senso." Se poderá melindrar

colegas ou patrão, o melhor é deixar para o chat privado as queixas

que tenha a fazer.

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