O Deutsche Bank decretou o congelamento imediato de quaisquer novas contratações, numa decisão que afeta todas as áreas de negócio - à exceção da área do 'compliance'. Foi John Cryan, CEO do banco alemão, quem comunicou a decisão a todos os chefes regionais da instituição.
Esta decisão do Deutsche Bank é mais uma medida urgente tomada pela instituição para conter as suas despesas no imediato. Já na semana passada, o banco chegou a acordo com os sindicatos para despedir quatro mil pessoas na Alemanha, mais mil que o inicialmente previsto.
A notícia sobre a decisão do Deutsche Bank em congelar todas as contratações foi hoje avançada pela "Bloomberg", com base em fontes não identificadas. Segundo a agência, "a instituição decidiu travar todas as contratações com efeito imediato", numa opção que afeta todas as divisões e áreas de negócio, à exceção de áreas particularmente sensíveis, como a de 'compliance'.
Além dos cortes na Alemanha, o CEO do gigante financeiro europeu desenhou em outubro de 2015 um vasto plano de reestruturação, assente numa redução global de 30 mil trabalhadores - tanto por despedimentos como por venda de ativos - e a saída de dez países, sobretudo nas Américas, como a Argentina, Chile, Peru, México ou Uruguai. O pagamento de dividendos também foi então suspenso.
Já em julho deste ano, Cryan admitiu que talvez fosse necessário ser mais ambicioso ao nível da reestruturação. “Se o fraco cenário económico atual persistir, teremos que ser mais ambiciosos em relação aos timings e à intensidade da nossa reestruturação”, apontou depois da apresentação dos resultados semestrais do banco.
A desconfiança dos mercados face ao Deutsche Bank tem estado em máximos ao longo de este ano, com os investidores cada vez mais de pé atrás face à excessiva exposição do banco a instrumentos derivados e às suas atitudes aquém do eticamente aceitável, postura que lhe valeu aliás a imposição de uma multa astronómica - 14 mil milhões de dólares - recentemente.
Esta desconfiança é de tal ordem que, e conforme escreveu ontem o "Dinheiro Vivo", o banco alemão é hoje o único dos grandes bancos europeus que precisa de pagar para obter financiamento, ao contrário do italiano Monte dei Paschi ou da Caixa Geral de Depósitos.
Já em junho último, o Fundo Monetário Internacional (FMI) identificou no Deutsche Bank o maior risco mundial para a estabilidade, dado o seu enorme peso sistémico. Desde o início do ano, as ações do gigante alemão já desvalorizaram mais de 50%.