Para perceber se é mesmo uma boa ideia, é necessário perguntar que razões levam os casais a abrir empresas em conjunto e quais são os benefícios. Este tema é abordado numa nova pesquisa do Instituto para o Estudo do Trabalho (IZA).
Usando uma amostra de 1069 casais dinamarqueses que fundaram uma empresa em conjunto entre 2001 e 2010, o estudo revelou que o fazem, muitas vezes, porque um dos seus elementos (normalmente a mulher) tem oportunidades limitadas no mercado de trabalho. Revelou também que iniciar um negócio em conjunto conduziu a ganhos significativos para ambos (mas principalmente para a mulher), tanto durante a vida da empresa como depois da sua dissolução. A investigação sugere que dar início a um negócio de casal é, normalmente, um investimento saudável do capital humano de ambos, e tem o benefício acrescentado de reduzir a desigualdade de rendimento no casal.
Para identificar as perspetivas no mercado de trabalho destes empreendedores, o estudo analisou os rendimentos anteriores ao início da empresa. Os dados mostram que, em média, as mulheres envolvidas nas empresas de casal ganhavam, anteriormente, menos 27% que as mulheres dos casais em que cada elemento possuía a sua própria empresa, e menos 33% que as mulheres dos casais em que apenas um dos elementos era empresário.
Isto indica que as mulheres que abrem uma empresa com os maridos vêm de uma posição mais desvantajosa no mercado de trabalho e se decidem pela empresa porque o custo de oportunidade é baixo. Os autores concluíram que esta decisão não se deve ao facto de estes casais serem mais tradicionais que outros. Visto as mulheres co-empresárias terem ganhos ainda mais elevados que os maridos (porque ganhavam significativamente menos anteriormente), a diferença de rendimentos entre os esposos diminui. O estudo também demonstra que os casais que abrem empresas juntos não são mais nem menos felizes que os outros (medido pelo consumo de antidepressivos ou medicamentos para a ansiedade e insónia) e não têm menos nem mais probabilidades de se separarem, divorciarem ou terem filhos.
Do ponto de vista dos rendimentos, esta pesquisa sugere que as empresas fundadas por um casal têm o potencial de mitigar a desigualdade de género. Infelizmente, estudos anteriores revelam uma realidade diferente.
Um estudo de 2013 da Universidade da Carolina do Norte provou que a desigualdade de género na distribuição de controlo tinha mais probabilidade de ocorrer nas equipas formadas por esposos. Segundo os autores, "as mulheres têm hipóteses reduzidas de serem as responsáveis quando abrem negócios com os maridos", porque algumas expetativas em torno do trabalho típico de cada género (ganha-pão v. dona de casa) afetam as posições de poder de mulheres e maridos - a par com outras condições familiares, como, a existência de filhos.
Assim, é mais provável que os maridos assumam as rédeas do novo negócio, acabando as mulheres num papel subordinado, e as ideologias de género que enformam os seus papéis sociais e responsabilidades em casa reforçam estas posições.
Outra pesquisa aborda as diferenças entre as mulheres que abrem empresas com os maridos e as que o fazem sozinhas. Kathy Marshack, uma psicóloga clínica que estuda casais empresários, salientou que as esposas co-empresárias muitas vezes sentem que é sua obrigação fazer os maridos "ficarem bem na fotografia". Descobriu que, frequentemente, mesmo que a mulher tenha sido a fundadora da empresa e o marido entre mais tarde, ela pode identificar-se como "co-proprietária" e não como fundadora ou presidente. "Descobri que as esposas não eram tão independentes como as mulheres que desenvolviam uma carreira separada dos seus maridos", diz Marshack. "Num teste sobre a orientação dos papéis de género, tendiam a pontuar bastante nos traços femininos desejáveis, enquanto as mulheres dos casais com dupla carreira tinham pontuação elevada, tanto nos traços femininos desejáveis, como nos masculinos. Os últimos são os que costumamos ver nas profissionais mais independentes no mundo do trabalho. Estas também têm casamentos mais igualitários que as co-empresárias".
Embora o estudo do IZA aponte para rendimentos mais elevados para as co-empresárias (e infira "cautelosamente" que as equipas de marido e mulher têm vantagens em termos de produtividade), estar numa empresa com o marido pode ser complicado e apresenta muitas vezes o seu próprio conjunto de preconceitos de género.
Famílias e casais trabalhando em conjunto foram sempre a norma, desde as quintas de família. E há muitas histórias de sucesso de empresas fundadas por casais, como a Kate Spade e o Flickr (antes de os fundadores se separarem). Hoje em dia, porém, a maior parte dos problemas em eliminar essa divisão trabalho/casa provém dos papéis profissionais pouco claros dos casais (a falta de "papéis profissionais definidos" é, aparentemente, uma razão da relutância das empresas de capital de risco em investirem nas start-up de casais) e da necessidade de também equilibrar as responsabilidades familiares.
Afinal, os casais devem ou não constituir empresas juntos? Não existe uma resposta fácil. De maneira geral, as pesquisas sugerem que existem muitas vezes ganhos financeiros reais, mas que a desigualdade de género entra frequentemente em cena. Também fornecem conselhos aos que pensam dar esse passo: considerem quais são as vossas outras opções de carreira, e falem abertamente de como planeiam partilhar responsabilidades, no trabalho e em casa.
Nicole Torres é editora adjunta da Harvard Business Review