O Pingo Doce está a equipar os mais de 30 mil trabalhadores com máscaras FFP2/KN95 face ao agravamento da pandemia no país. A generalidade das cadeias não está a mudar a tipo de máscaras até aqui usadas pelos colaboradores, mas dizem estar "a acompanhar de perto todos os desenvolvimentos e indicações" das autoridades de saúde.
Alemanha, Áustria e França são alguns dos países que estão a recomendar o uso de máscaras mais eficazes em situações de grande concentração de pessoas, como transportes públicos, lojas, supermercados e até locais trabalho, exigindo ou máscaras cirúrgicas (com desempenho mínimo de filtração de 90%) ou as FFP2, conhecidas por "bico de pato".
Em Portugal, até ao momento, a Direção-Geral da Saúde (DGS) não alterou as recomendações quanto ao uso de máscaras contra a covid, mas o Pingo Doce já está a mudar as máscaras que os colaboradores estão a usar.
"Face ao agravamento da situação epidemiológica em Portugal, o Pingo Doce está a equipar os seus mais de 30 mil colaboradores de lojas, armazéns logísticos, cozinhas e fábrica com máscaras FFP2/KN95, classificadas com um nível superior de proteção", informou a cadeia do grupo Jerónimo Martins.
Nas lojas já é possível ver os colaboradores com as novas máscaras. E será assim "enquanto Portugal se mantiver em estado de confinamento geral e não for inequívoca a inflexão da curva de evolução das novas infeções". Os colaboradores do Pingo Doce regressarão "ao uso das máscaras cirúrgicas (nível 2) - indicadas como as adequadas para o atendimento ao público pela DGS - assim que a fase aguda da pandemia for superada", justifica a cadeia.
O Continente não quis comentar esta decisão, nem adiantou se a cadeia do grupo Sonae estava a reforçar as medidas de segurança face ao aumento do número de casos de infeção no país.
A maioria das cadeias da grande distribuição ouvidas pelo Dinheiro Vivo diz estar a acompanhar a evolução da pandemia e recomendações da DGS. É o caso do Lidl. "Estamos a acompanhar de perto todos os desenvolvimentos e indicações da DGS, bem como as comunicações do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças", diz fonte oficial.
A cadeia "disponibiliza regularmente a todos os colaboradores, máscaras em tecido, reutilizáveis, de produção nacional e certificadas. As mesmas são de produção nacional, visando apoiar a nossa economia, certificadas de nível 2 com duas camadas em TNT e clip nasal até 10 ciclos de lavagem, conforme recomendação da DGS".
O Aldi está igualmente a "acompanhar com muita atenção a evolução da situação pandémica em Portugal", assegura fonte oficial da cadeia alemã. "Devido à gravidade da situação, estamos concentrados na proteção e segurança das nossas equipas, assim como dos nossos clientes e, por isso, estamos a seguir todas as recomendações da DGS de forma a garantir que podemos continuar a prestar os nossos serviços de forma segura a toda a população", acrescenta.
Mónica Correia, diretora de recursos humanos do DIA Portugal, recorda que as lojas Minipreço receberam recentemente a "certificação Covid-Safe, atribuída pela APCER, que representa o compromisso da insígnia com a saúde e segurança de todos os colaboradores, parceiros e clientes das lojas Minipreço, próprias e franqueadas".
Uma certificação que passa igualmente pelas máscaras, reforça a responsável de recursos humanos do retalhista espanhol. "As máscaras são uma parte dessa certificação pelo que, agora e como sempre, todas as nossas lojas estão conforme as orientações emanadas pela DGS, Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e Organização Internacional do Trabalho (OIT), no âmbito da pandemia mundial covid-19. Assumimos desde a primeira hora um compromisso responsável e zelamos diariamente pela eficaz implementação de procedimentos e práticas de segurança e saúde", assegura.
"O Grupo Os Mosqueteiros foi precursor no que diz respeito à segurança de clientes e colaboradores. O uso de máscaras, gel e viseira foi adotado muito cedo tanto em loja como nas bases logísticas. Existe desde o início um rigoroso controlo em todos os espaços de forma a fazer cumprir todas as normas de higiene e saúde recomendadas pelas autoridades", assegura fonte oficial do grupo dono do Intermarché.
Serviços médicos internos e testes
E o mesmo diz a Mercadona. "Continuamos a assegurar as medidas de segurança e higiene que temos implementado desde o primeiro dia e que em nenhum momento abrandámos, disponibilizando aos nossos colaboradores luvas, gel, máscaras e proteções de acrílico na secção das caixas", garante fonte oficial.
Durante a pandemia, o serviço médico interno, já existente na cadeia espanhola "reforçou ainda a atuação e as equipas, abrindo um call center médico, com especialistas da saúde à disposição dos trabalhadores 24 horas por dia, 7 dias por semana", adianta a Mercadona. "Este serviço não só ajudou a tranquilizar os nossos colaboradores perante a situação vivida, como a realizar uma triagem de forma a não colapsar os serviços médicos públicos."
No Pingo Doce uma equipa de mais de 40 médicos e enfermeiros acompanha os colaboradores, realizando "de forma pró-ativa, uma média mensal de cerca de 5 mil testes à covid junto das equipas como parte do seu contributo para quebrar cadeias de contágio em Portugal", diz a empresa. "Foi ainda criada uma linha de apoio psicológico gratuito para todos os colaboradores, através da qual se pode ativar o Fundo de Emergência Social do Pingo Doce, criado há 10 anos para apoiar, a fundo perdido, colaboradores em situação de grandes dificuldades financeiras e elevado sofrimento psicológico."
O Lidl criou um microsite interno - "com toda a informação útil e importante sobre o tema" -, acessível também na app móvel a todos os trabalhadores, que têm ainda uma Linha do Colaborador. A cadeia disponibiliza a todos os colaboradores "um seguro da saúde, que inclui apoio psicológico no contexto de covid, sem qualquer custo para o colaborador, já que é de extrema importância continuar a garantir o seu bem-estar emocional".
Até aqui, garantem, as medidas introduzidas - com medição da temperatura dos colaboradores - têm resultado. "Os casos positivos que registámos até ao momento foram acontecimentos isolados, sem a existência de surtos no local de trabalho."
"Todas as medidas que temos vindo a implementar e que têm vindo a ser reforçadas com a evolução da pandemia e das novas diretrizes pelas autoridades de saúde, de março a dezembro de 2020 investimos 12 milhões de euros", adianta.
Auchan e Coviran foram contactados mas não foi possível, até ao momento, obter uma posição dessas cadeias.