"Foi muito positivo o feedback que conseguimos no mercado. Tivemos muitos contactos com responsáveis de cadeias de lojas colombianas, e não só, e agora há uma série de questões para afinar. Recolhemos alguns comentários que temos de analisar", explicou ao Dinheiro Vivo o diretor de vendas internacionais e desenvolvimento da Dielmar. "Houve, por exemplo, quem considerasse que a nossa roupa era mais adequada para Bogotá do que para Medellín, por causa do tempo. São questões a aprofundar, porque nos interessa bastante todo o mercado da América Latina", precisou Pedro Pinto.
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Dos muitos contactos que estabeleceu, houve um que marcou o gestor, que o classifica mesmo de "paradigmático". O atraso na chegada das malas a Medellín causou dificuldades a algumas das empresas têxteis e de vestuário presentes na feira, mas houve duas malas que estiveram desaparecidas e só chegaram no terceiro e último dia do certame (decorreu de 22 a 24 de julho). Uma delas continha as amostras de tecidos e os livros de encomendas da Dielmar. Um cliente, com quatro lojas em Santiago do Chile, foi, dia após dia, ter com Pedro Pinto na expetativa de poder ver, mais em pormenor, a oferta da empresa portuguesa.
"O homem foi tão simpático, que acabei por deixar o stand sozinho por um bocado e o convidar a tomar um café. Percebi que ele tinha partido o aloquete da mala e, como ando sempre com vários, ofereci-lhe um. Até nos rimos. Dizia-me ele 'vê lá, Pedro, até estamos a selar a nossa parceria com um aloquete e tudo'. E a verdade é que, às vezes, são pequenos pormenores como estes, da empatia que se cria, que fazem toda a diferença nos negócios", diz Pedro Pinto. Neste caso, estão a ser definidas questões práticas, como os modelos e o fiting, para firmar a encomenda final, mas o gestor até está a pensar convidar o empresário chileno a visitar Portugal em setembro, aquando da Modtíssimo (agendada para os dias 24 e 25 na Alfândega do Porto).
Mais tempo deverá levar todo o processo negocial referente à abertura de lojas no mercado colombiano. "O objetivo final da Dielmar é sempre controlar a distribuição e o público final, mas também sabemos que é o passo mais difícil de dar. Por isso, apostamos na entrada no mercado com retalhistas especializados", afirma.
Presente já em mais de 30 mercados, a Dielmar está agora centrada, precisamente, em alargar aos países emergentes a experiência que adquiriu em Portugal com cerca de uma dezena de lojas de retalho especializado, com serviço de aconselhamento técnico de moda e fato feito por medida. "Fazemos 14 a 16 feiras por ano e, em todas elas, aparecem interessados em abrir lojas do conceito look total da Dielmar. Vai sair agora a primeira encomenda para a Coreia do Sul e o agente já pediu que enviássemos tudo rapidamente porque há interesse do cliente em abrir lojas monomarca. E é a primeira encomenda.", frisa.
Mas porque estes processos "levam sempre o seu tempo", a Dielmar está a negociar, em simultâneo, possíveis aberturas em geografias tão distantes como a China e o Dubai e Arábia Saudita. Quanto ao modelo, a empresa portuguesa admite ceder os direitos de 'masterfranchise' da marca, se o parceiro tiver capacidade para tal, ou ficar com parte do capital na nova sociedade. "O controlo da imagem e do produto terá sempre de ser nosso. Só se pode criar uma marca global assim", frisa Pedro Pinto.
Com 375 trabalhadores e uma rede de dez lojas em Portugal, a Dielmar fechou 2013 com uma faturação de 15 milhões de euros, dos quais 60% obtidos nos mercados externos. O objetivo da marca é chegar a 2020 com um volume de negócios de 30 milhões de euros.