Um inquérito à literacia financeira encomendado pelo Banco de Portugal, revela que 11% dos portugueses não são titulares de qualquer conta bancária. Em termos de inclusão financeira, o trabalho, conduzido pela Eurosondagem, adianta ainda que de entre as pessoas que declaram não ter conta no banco, 10% são trabalhadores por conta de outrem e mais de metade tem entre 16 e 24 anos ou mais de 70 anos.
Já quanto aos que declaram ter conta bancária, 29% dizem não possuir outros produtos financeiros. Ter uma conta é um requisito essencial para o acesso a determinados bens e serviços, constituindo ainda um indicador de integração social. Contudo, mesmo em países desenvolvidos, uma parte significativa da população continua excluída do sistema financeiro. E os que têm conta no banco, como olham para ela?
Gestão da conta
Cerca de 7% dos entrevistados referem não saber o valor do saldo da conta, enquanto que 11% afirmam mesmo não ler o extractos bancários. Mais extraordinário ainda é que 40% não tem a mais pequena ideia das comissões que o banco cobra pela conta. No que concerne à escolha da instituição financeira, 35% fizeram-no por recomendação de familiar ou amigo e 23% pela proximidade de casa ou do local de trabalho.
Produtos bancários
Quando questionados sobre os produtos bancários que detêm, 54% dizem que o conselho dado ao balcão foi a primeira razão da escolha feita. Apenas 8% referem a comparação entre produtos.
Cerca de 22% dos entrevistados que detêm empréstimos não sabem o valor da taxa de juro que estão a pagar e 15% não lêem a informação pré-contratual prestada pelas instituições.
Compreensão financeira
Perante um extracto bancário, 73% dos entrevistados identificam correctamente o saldo da conta. Apenas 9% sabem como é formada a Euribor, com 45% a declararem que é uma taxa definida pelo Banco Central Europeu. Da mesma forma, apenas 17% compreendem o conceito de spread, com 57% a revelarem compreender a relação entre taxa de juro e taxa de inflação.
Poupança
Metade dos entrevistados considera muito importante planear o orçamento familiar e apenas 11% o entendem como pouco ou nada importante. Cerca de 48% dos inquiridos afirmam não fazer poupanças; desses, 88% dizem que o rendimento não o permite e 7% não consideram prioritário fazê-lo. Apenas um quinto dos entrevistados poupam numa perspectiva de médio ou longo prazo
Para este trabalho foram inquiridos 2000 indivíduos com idade igual ou superior a 16 anos, com as entrevistas a serem conduzidas porta-a-porta em todo o território nacional. Incluiu 94 questões de escolha múltipla, sobre cinco grandes áreas temáticas: inclusão financeira, planeamento de despesas e poupança, gestão da conta bancária, escolha de produtos bancários e compreensão financeira.