Disney entra na China. Tudo menos um conto de fadas

Cada chinês gasta pouco mais do que 2,5 euros por ano em parques de diversões. Disney e Wanda concorrem no negócio da diversão.
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16 de junho. É neste dia que a Disney vai abrir o primeiro parque de diversões na China, na cidade de Xangai, semelhantes aos de Paris e em Orlando, nos Estados Unidos, por exemplo. Só que a empresa norte-americana não vai viver um conto de fadas num dos maiores mercados do mundo.

A culpa é de Wang Jianlin. Este multimilionário da área do imobiliário é o dono do grupo de entretenimento Dalian Wanda Group, que abriu, logo no mês passado, um parque temático na cidade de Nanchang, no sul da China. Investimento de 3 mil milhões de dólares (2,64 mil milhões de euros) que Jianlin não quer desperdiçar.

O parque chama-se Wanda City e quer agradar aos chineses com as maiores e mais altas montanhas-russas e um centro comercial que evoca o chá chinês. Jianlin também quer apostar num preço mais baixo: com um preço de entrada ao fim de semana de 248 yuan (33,24 euros), metade do que vai ser cobrado no novo parque da Disney - 499 yuan (66,88 euros).

O parque da Disney, que representa um investimento de 8 mil milhões de dólares, vai tentar atrair os chineses com diversões baseadas em alguns dos mais recentes sucessos de bilheteira da empresa: Piratas das Caraíbas, Homem de Ferro e Vingador, além de Elsa e Anna, duas das personagens mais conhecidas do filme Frozen.

Apesar das atrações da Disney, o multimilionário chinês não tem qualquer receio da chegada da empresa norte-americana à China. "Os dias em que o Rato Mickey e o Pato Donald criavam frenesim chegaram ao fim. Um tigre não pode competir com uma mana de lobos. Xangai vai ter uma Disney, enquanto a Wanda, por todo o país, vai abrir 15 a 20 Cidades Wanda", referiu Wang Jianlin em maio à televisão chinesa.

Além de mais baratos, os parques da Wanda são mais ágeis e podem adaptar-se mais rapidamente à cultura local e ao clima. O objetivo é criar uma experiência única chinesa, com barcos em forma de dragão ou uma floresta de bambu para chegar à montanha-russa.

Mas há quem discorde do magnata chinês. "Os parques da Disney são suficientemente especiais para os consumidores chineses pagarem um preço premium para verem as personagens favoritas das crianças. Os parques temáticos locais apenas proporcionam uma experiência menor, e muitos deles são semelhantes entre si", avalia Tiger Hou, responsável da consultora de entretenimento chinesa Ent Group, citado pelo Financial Times.

Além disso, foram publicadas recentemente fotografias de turistas ao lado de vários stormtrooper, as famosas personagens do filme Star Wars, cujos direitos pertencem agora à Disney, que já anunciou a apresentação de uma queixa.

Também há analistas que defendem que a concorrência pode beneficiar as duas empresas, graças ao desenvolvimento da indústria de parques de diversões. É que, atualmente, cada chinês gasta apenas três dólares por ano nestes locais, o que compara com os 58 dólares despendidos por cada cidadão norte-americano, segundo o analista do Nomura Richard Huang.

Disney e Wanda também poderão beneficiar das intenções do Governo em aumentar o número de feriados e de melhorar as ligações de comboio, segundo o responsável do mercado chinês da agência Thomas Cook - detida em 5% pela Fidelidade.

Às duas empresas resta agora esperar pela adesão dos turistas a este conceito de entretenimento. Resta saber se o conto de fadas pode ou não acabar em pesadelo.

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