Artur Cupertino de Miranda, fundador do extinto Banco Português do Atlântico - que chegou a ser controlado pelo então chamado núcleo do Norte, constituído por alguns dos mais relevantes empresários da região - está na génese do sonho de transformar Vilamoura no maior empreendimento turístico privado da Europa. É o banqueiro que compra no início da década de 60 a Quinta do Morgado de Quarteira, uma propriedade de 1600 hectares, pertença da família de António Júdice Fialho, grande industrial de conservas.
Por essa altura é criada a sociedade Lusotur, a quem se deve a alteração do nome da quinta para Vilamoura. O sonho de erigir um resort nestas terras algarvias começa por se materializar na construção da marina no início da década de 70, uma obra pioneira no país. À volta do porto náutico foram surgindo posteriormente vários empreendimentos e equipamentos residenciais e turísticos.
Em 1996, o empresário André Jordan entrou no capital da Lusotur e seis anos mais tarde assumiu toda a empresa.
Nova vida e expansão
Em 2004, Vilamoura deixa de estar em mãos portuguesas. André Jordan vende o projeto à espanhola Prasa por 360 milhões de euros. O grupo imobiliário acaba por entrar em insolvência e a Lusotur ingressa na carteira do Catalunya Banc.
O banco passa a deter os ativos imobiliários (350 mil metros quadrados de área bruta de construção), a concessão da marina, o museu e ruínas romanas Cerro de Vila, o Centro Equestre com 25 hectares, o parque ambiental com 170 hectares, 26 quilómetros de ciclovias e sete concessões de praia (duas de Vilamoura e cinco da Falésia).
Sem interesse neste negócio, procura vender o empreendimento, mas a crise económica e financeira só permitiu a transação em 2015, quando Vilamoura passa para as mãos dos americanos da Lone Star, por um valor de 200 milhões de euros.