Do mar e dos telhados de Singapura, EDP vê expansão na Ásia e salto para a Austrália

Em 24 de fevereiro a EDPR, detida em 74,98% pela EDP, anunciou ter completado a aquisição de uma participação de 91% na Sunseap, uma das maiores companhias de energia solar no Sudeste Asiático, por 600 milhões de euros.
Publicado a

Num parque solar flutuante do lado singapuriano das águas dos estreitos de Joh, Pedro Vasconcelos explica os planos da EDP para usar a cidade-estado como plataforma para expandir na Ásia e, a prazo, chegar à Austrália.

O 'Chief Operating Officer' (COO) para a região Ásia-Pacífico (APAC) da EDP Renováveis (EDPR), subsidiária da EDP, aponta o parque - composto por 13 mil painéis solares nos estreitos que formam a fronteira com a Malásia - como exemplo do tipo de projetos que levaram a energética a apostar na sua mais recente geografia e que completa o 'puzzle' global.

Em 24 de fevereiro a EDPR, detida em 74,98% pela EDP, anunciou ter completado a aquisição de uma participação de 91% na Sunseap, uma das maiores companhias de energia solar no Sudeste Asiático, por 600 milhões de euros.

"Para nos apresentarmos como uma empresa global, como fizemos no nosso plano de negócios em 2021, faltava uma peça muito importante e que representa metade do crescimento mundial", afirma Pedro Vasconcelos.

"A APAC era o elo que faltava. Encontrámos a Sunseap e sentimos que na região poderíamos beneficiar ao apoiarmo-nos nos ombros do que a empresa já construiu e aproveitar essas conquistas", diz, sublinhando que, apesar de a região estar em atraso face à Europa e aos Estados Unidos na penetração de energias renováveis, tem potencial com base nas novas metas de uso de fontes 'limpas' em vários países.

Presente em nove mercados - China, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Vietname, Malásia, Tailândia e Indonésia, além da sede em Singapura -, a EDP descreve a Sunseap como "pioneira" no solar, com mais de 700 megawatts (MW) de capacidade instalada e um 'pipeline' de mais de 6 gigawatts (GW).

Pedro Vasconcelos elenca as metas do EDPR Sunseap para a região: acrescentar 2 GW de capacidade instalada até 2025, investir mais de 6.000 milhões de euros até 2030 e contratar 400 trabalhadores nos próximos dois anos, acrescentando ao atuais 600.

No final do ciclo de crescimento em 2025, a energética prevê já estar a beneficiar de projetos 'Utility Scale', parques solares de larga escala capazes de gerar volumes significativos de energia comparáveis até com os das centrais de carvão, com cada um a acrescentar capacidade de entre 100 MW e 200 MW.

"A nossa estratégia para esse tipo de tecnologia está fortemente focada no Vietname, na China, na Coreia do Sul, no Japão, mas também potencialmente na Austrália, se pudermos encontrar as oportunidades certas para entrar", adianta o COO.

"A Austrália é um mercado muito sofisticado, um mercado que possui recursos eólicos e solares de alta qualidade. Ao mesmo tempo, é um mercado altamente penetrado e, portanto, competitivo,", explica.

Acrescenta, contudo, que o potencial da Austrália é superior do que o próprio mercado representa hoje.

"Com o novo governo do Partido Trabalhista, vemos a disposição de restabelecer diretrizes de penetração renovável de longo prazo, e isso é ótimo de uma perspetiva intrínseca da dinâmica do mercado, portanto vemos até a perspetiva de o país se posicionar como exportador de energia verde", adianta.

"Será a longo prazo, mas é algo que consideramos interessante e que sem dúvida faz sentido", diz.

A curto prazo a tecnologia principal de crescimento da EDPR Sunseap é a 'decentralized generation' (DG), a geração descentralizada, que requer olhar para a água, como no caso do parque nos estreitos de Joh, e para o céu como soluções.

No Bloco 36 da Clementi Avenue, perto da costa sul da ilha de Singapura, Zeet Seet Chee Wee, gestor de projetos do 'Housing Development Board' mostra como o governo quer usar o espaço dos telhados para gerar energia solar.

No telhado do bloco de 12 andares está instalado um sistema de painéis que alimenta os apartamentos do edifício e depois transfere a restante energia para a rede pública.

A rapidez de instalação é um dos trunfos, diz Zeet Seet Chee Wee, pois cada instalação demora apenas 12 semanas, entre colocação e testes.

O projeto, o segundo deste tipo ganho pela Sunseap, envolve a instalação de 170 mil painéis em 1.200 blocos residenciais e 49 edifícios do governo, com o objetivo de gerar 70 MWp e o potencial de compensar cerca de 42.152 toneladas de emissões de carbono.

No total dos dois projetos, a Sunseap vai instalar 600 mil painéis em 2,4 milhões de metros quadrados e produzir suficiente energia 'limpa' para alimentar 60 mil apartamentos.

Pedro Vasconcelos salienta que numa região com elevada densidade populacional que torna difícil encontrar espaço para criar parques solares ou eólicos de 200 MW ou 300 MW, como os que a energética tem no Brasil ou nos Estados Unidos, a tecnologia DG é um autêntico "cavalo de Tróia" para entrar no mercado.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt