Dona da Zara assegura que Portugal é "absolutamente estratégico"

Publicado a

Portugal é "absolutamente estratégico" para o grupo têxtil espanhol Inditex, dono da Zara, tanto pela "proximidade" e pela flexibilidade dos seus produtores como pela qualidade do seu produto, afirmou hoje o responsável da empresa.

Questionado pela Lusa em Madrid sobre os projetos do grupo para Portugal, Pablo Isla, presidente e administrador delegado, explicou que a ligação "antiga" continuará no futuro.

"A importância de Portugal do ponto de vista de produção e fornecimento é absolutamente estratégica para o grupo Inditex", disse.

"Dentro do nosso modelo de negócio, a produção de proximidade em Portugal, Espanha e Marrocos permite-nos a flexibilidade e a capacidade de reação durante a campanha", afirmou.

O responsável da Inditex referiu o facto dos fornecedores portugueses estarem "plenamente integrados" na operação do grupo galego, algo que "continuará a ser absolutamente estratégico".

"A confeção tem muitíssima qualidade, temos relações de longo prazo com muitos fornecedores e apostamos nessa proximidade cultural e geográfica. Portugal continua a ser um país absolutamente estratégico", disse.

Isla disse ainda desconhecer as denúncias feitas este ano pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) de que o grupo teria "intimidado" os trabalhadores de três lojas da marca Zara no Porto para aceitarem reduções nos salários usando como "expediente" a diminuição da carga horária.

Segundo o CESP os trabalhadores em causa "deveriam pedir, assim, uma diminuição de cinco horas semanais nos seus contratos", o que significa que quem se encontra a tempo inteiro passaria de 40 para 35 horas de trabalho semanal e os funcionários em tempo parcial de 25 para 20 horas.

"Não tenho informação sobre esta denúncia. Mas quero deixar claro que a nossa política laboral nos diferentes países é tremendamente respeitosa com os direitos dos trabalhadores", afirmou.

O grupo Inditex fechou 2011 com lucros líquidos de 1.932 milhões de euros (mais 12%) tendo as vendas aumentado 10% para 13.793 milhões de euros.

O EBITDA (resultados operacionais reais antes de provisões, impostos e amortizações) aumentou 10% para 3.258 milhões de euros.

No seu exercício financeiro correspondente a 2011 o grupo criou quase 9.400 novos postos de trabalho, empregando já 109.512 pessoas em todo o mundo.

No final de 2011 contava com 5.527 lojas (mais 483 que há um ano) com aberturas em 49 mercados, cinco dos quais em estreia: Austrália, Taiwan, Azerbaijão, África do Sul e Peru.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt