A Impresa, o grupo dono da SIC e do Expresso, fechou o ano passado com lucros de 11,2 milhões, uma subida de 43% e 3,4 milhões em relação a 2019. Os proveitos recuaram 2%, para 178,1 milhões, refletindo a queda de 6,1% das receitas de publicidade, para os 111, 322 milhões. O grupo reduziu em 13,6 milhões a dívida líquida, para 152,8 milhões de euros, o valor mais baixo desde 2005, ano em que o grupo passou a deter 100% do capital da SIC.
"Foi graças aos valores atingidos pela SIC e do Expresso que a Impresa conseguiu melhorar os seus resultados operacionais e líquidos, tendo a empresa mantido também o foco na redução de custos, que compensou a queda nas receitas publicitárias. Deve ser igualmente realçado o esforço referente à diminuição da nossa dívida, tendo sido alcançado o valor mais baixo em 15 anos", justifica Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa, em comunicado enviado às redações.
"Apesar dos muitos desafios com que nos deparámos em 2020, lançámos dois projetos pioneiros, OPTO (primeiro serviço de streaming pago português) e ADVNCE (ecossistema de conteúdos na área do eSports), que nos posicionam na linha da frente perante a evolução dos hábitos de consumo de conteúdos audiovisuais", destaca ainda o gestor que traça os objetivos para 2021.
"Em 2021, a Impresa procurará consolidar as lideranças da SIC e do Expresso e prosseguirá os objetivos definidos no âmbito do seu Plano Estratégico para o triénio 2020-2022, focado na produção de mais e melhores conteúdos, em várias plataformas, com o intuito de atingir novas e maiores audiências", diz ainda.
Os lucros do grupo - que tem como ativos principais a SIC e o Expresso - subiram 3,4% face a 2019, todavia as receitas recuaram 2%, para 178,1 milhões, sofrendo o impacto do recuo na publicidade, que foi transversal aos meios do grupo. A Impresa viu num ano os custos recuar 6,2%, para 146,9 milhões de euros, para um EBITDA total de 31,1 milhões, uma melhoria de 23,9%.
SIC: receitas recuam 2%
Na SIC as receitas recuaram 2%, para 152,2 milhões de euros, refletindo a queda em todas as linhas de receitas, com exceção dos IVR. Os proveitos de publicidade caíram 5,6%, para 99,8 milhões de euros. "A SIC atingiu 51,3% de quota de mercado do investimento publicitário entre os canais generalistas, tendo crescido 1,4 p.p. comparativamente a 2019", destaca o grupo.
As receitas de subscrição geradas pela distribuição dos 8 canais da SIC, via cabo e satélite, em Portugal e no estrangeiro, caíram 4% para 32,9 milhões de euros, recuo que o grupo justifica com a negociação de contratos com operadores internacionais. As outras receitas caíram 18,4%, para 3,2 milhões.
Em sentido contrário estão as receitas com IVR: um disparo de 43,7%, para 16,2 milhões de euros. Os custos operacionais recuaram 5,1%, para 121,67 milhões, levando a uma melhoria de 12,9% no EBITDA, para 30,5 milhões O EBITDA ajustado de indemnizações atingiu 30,8 milhões.
Impresa Publishing: receitas de circulação sobem
A Impresa Publishing, que agrega o Expresso, viu as receitas recuarem 3,8% o ano passado, para 23,3 milhões, apesar da subida de 9,5%, para 10,7 milhões das receitas de circulação, refletindo os proveitos relativos à subscrição digital do Expresso, que aumentaram em 42%, em termos homólogos, bem como com as vendas da edição em papel que subiram 3,6%, "algo que não acontecia desde 2006", destaca o grupo.
O recuo das receitas globais reflete sobretudo a quebra de 10,1% nas receitas de publicidade, para 11,5 milhões. Apesar disso, a redução de 15,4% dos custos operacionais, para 20,3 milhões, levou a uma melhoria do EBITDA de 274 mil euros, para pouco mais de 3 milhões no ano passado.