Dona do Pingo Doce aumenta lucro em 48,3% para 463 milhões de euros

Resultados de 2021 foram apresentados em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) esta quarta-feira.
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A Jerónimo Martins viu as suas vendas aumentarem 8,3% em 2021, ultrapassando "largamente" os 20 milhões de euros, revela o grupo em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) esta quarta-feira. "Somámos mais de 1,5 mil milhões de euros às vendas. A maior contribuição voltou a ser a da Biedronka, sendo que merecem também destaque o Pingo Doce, por ter ultrapassado o marco histórico dos quatro mil milhões de euros de vendas, e a Ara por ter passado, pela primeira vez, a fasquia dos mil milhões de euros", adianta o presidente executivo do grupo, Pedro Soares dos Santos, citado no comunicado.

A dona da cadeia de supermercados afirma ter encerrado o ano "numa muito sólida situação financeira", tendo obtido resultados líquidos no valor de 463 milhões de euros, verificando-se um aumento de 48,3% face ao ano anterior. Ainda no sentido do crescimento, a evolução das vendas permitiu ao grupo subir 0,2% na margem EBITDA, passando de 7,4% em 2020 para 7,6% em 2021. Já a dívida líquida da Jerónimo Martins consolidou-se em 1,3 mil milhões de euros.

No que respeita aos lucros, "a robusta situação financeira do grupo" levou o conselho de administração a propor uma distribuição de um dividendo de 0,785 euros por ação, num total de 493,3 milhões de euros.

Pedro Soares dos Santos observa que, desde 2010, o grupo investiu cerca de 6,5 mil milhões de euros, "maioritariamente alocados ao reforço da liderança da Biedronka na Polónia e à construção de uma operação de retalho na Colômbia", país que já conta com mais de 800 lojas e que deu agora "a alegria de entrar em território positivo de rentabilidade ao nível do EBITDA". O presidente da Jerónimo Martins realça ainda que foi nestes países onde criaram "a maior parte dos cerca de 70 mil empregos" que acompanharam o crescimento dos nossos negócios.

Quanto às perspetivas para 2022, o grupo afirma ter em conta a "incerteza associada à evolução da pandemia de covid-19" e ainda as consequências do conflito na Ucrânia, nomeadamente o "rápido aumento da inflação dos produtos alimentares, da energia e dos transportes" - que limitam as cadeias de abastecimento internacionais - e a depreciação das moedas da Europa de Leste, à qual não se escapa o zloty.

Considerando o aumento da inflação alimentar, "a competitividade de preço e a criação de oportunidades de poupança para o consumidor através da atividade promocional" tornar-se-ão ainda mais críticas para a Jerónimo Martins e para todas as outras companhias", afirma a dona do Pingo Doce.

Apesar de ter sido a maior contribuição nos resultados de 2021, a Biedronka constitui agora uma preocupação para o grupo, que "está consciente das dificuldades acrescidas de gerir o equilíbrio entre o crescimento das vendas e a proteção da rentabilidade". No entanto, "a sua principal prioridade é estar ao lado dos consumidores polacos e fazer justiça à promessa da insígnia num momento de diminuição do rendimento disponível das famílias", estando "preparada para reforçar o seu investimento em preço e garantir a sua competitividade", mesmo que isso signifique aumentar "a pressão sobre as margens", pode ler-se no relatório enviado à CMVM.

Ainda na Polónia, a par da consolidação da rede de lojas (com a abertura de 30 novas) a Hebe "continuará focada no crescimento da sua operação online", observa o grupo.

Em território nacional, "o Pingo Doce alavancará a sua estratégia de crescimento nas categorias de frescos, com particular destaque para soluções de comida pronta onde tem vantagens competitivas evidentes e o suporte de duas cozinhas centrais e de equipas profissionais dedicadas", revela o grupo sobre os planos para a insígnia em 2022. O programa de investimento da cadeia de supermercados portuguesa prevê inaugurar cerca dez novas lojas e remodelar cerca de 30 localizações neste ano. Já o Recheio "continuará a beneficiar da recuperação do canal Horeca que se espera que ganhe dinamismo com alguma recuperação do turismo, estando prevista a abertura de uma loja bandeira em Cascais".

No mercado colombiano, em 2022 a Ara continuará a "trabalhar para ser a loja preferida do consumidor, através da aposta numa política de preços competitivos e promoções oportunas e bem desenhadas, e com um sortido que leve ao aumento do share of wallet", explica a Jerónimo Martins. A insígnia pretende terminar este ano com uma rede de mais de mil lojas e alavancar as suas vendas, com vista ao melhoramento da sua rentabilidade.

Apesar da incerteza relativa aos atuais acontecimentos, a Jerónimo Martins afirma manter "a flexibilidade financeira" para executar em 2022 um plano de investimento que ronda os 850 milhões de euros.

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