Douro vai produzir 104 mil pipas de vinho do Porto na próxima vindima

Quantitativo de benefício foi esta sexta-feira acordado em reunião do Conselho Interprofissional do IVDP. São mais duas mil pipas do que em 2020
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O Conselho Interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) aprovou, nesta sexta-feira, o quantitativo de benefício da próxima vindima, em que serão produzidas 104 mil pipas de vinho do Porto. Um número que representa um aumento de duas mil pipas face à produção autorizada o ano passado, apesar da recusa do Governo em comparticipar na produção de cinco mil pipas em regime de reserva qualitativa.

"Na verdade, o benefício deveria ser mais baixo, mas, com este benefício, o comércio veio suprir o Estado no apoio social aos viticultores, porque é preciso chegar mais dinheiro à região", explicou, ao Dinheiro Vivo, o presidente da Associação das Empresas de Vinho do Porto. António Saraiva lembra que os 2,5 milhões de euros que o Douro reclamava do Estado para ajudar a suportar a produção de cinco mil pipas em regime de reserva qualitativa - uma produção que fica retida, para envelhecimento, durante alguns anos previamente acordados; no caso das 10 mil pipas aprovadas em 2020 foi estabelecidos que serão integradas no mercado de forma faseada em 10 anos -"não sairiam do Orçamento do Estado, mas sim do saldo de gerência do IVDP, resultante das taxas cobradas ao setor".

Já António Lencastre, presidente da Federação Renovação Douro/Casa do Douro, admite que o objetivo era aproximar o quantitativo de benefício dos valores de 2019, em que foram autorizadas 108 mil pipas (de 550 litros), um montante "já mais condigno", mas que não foi possível sem o apoio do Governo à reserva qualitativa. "Esta é a resposta à não comparência do Governo no apoio à região. Na falta da reserva qualitativa, resolvemos [produção e comércio] que tinha que ser dado um sinal à região no sentido de a ajudar a ultrapassar a crise. Enquanto a leitura do Governo é que tudo está bem, nós não acreditamos nisso e quisemos dar este apoio aos viticultores, que tão pouco receberam nesta crise", argumenta.

Este responsável não poupa, mais uma vez, críticas à indisponibilidade do Ministério da Agricultura para ajudar a suportar uma nova reserva qualitativa. "Ela seria financiada pelos excedentes das taxas cobradas e que não voltam para subsidiar os viticultores, O que nos leva sempre a perguntar o que andamos a fazer quando pagamos as nossas taxas e elas vão para Lisboa, mas não regressam", frisa.

As primeiras previsões mostram que a próxima vindima na Região Demarcada do Douro será abundante: é esperada uma produção total de 1,5 milhões de hectolitros, mais 20% do que em 2020.

Em comunicado, o presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, salienta que as 104 mil pipas de benefício aprovadas pelo Conselho Interprofissional representam um acréscimo de 12.000 pipas relativamente a 2020, não contabilizando no valor do ano passado as 10 mil pipas produzidas sob reserva qualitativas. Gilberto Igrejas argumenta que este acréscimo espelha a "evolução positiva" nas vendas ocorrida no primeiro semestre do ano.

"O quantitativo hoje determinado, a par da continuidade de algumas medidas excecionais para mitigar a crise provocada pela pandemia de Covid-19, visam trazer tranquilidade ao setor, contribuindo para contrariar os efeitos desta crise e prevendo-se que estejam assegurados os rendimentos dos viticultores", defende.

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