É uma boa altura para comprar casa ou deve esperar pelo próximo ano?

A inflação e a subida dos juros no crédito tornam o panorama pouco animador para quem quer comprar casa. Mas será esta uma boa altura para o fazer ou será mais favorável no próximo ano?
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Comprar casa é um passo importante na vida de qualquer um e que requer preparação financeira. No contexto atual de incerteza, há várias questões a ter em conta antes de avançar.

A inflação e a subida dos juros no crédito tornam o panorama pouco animador para quem quer comprar casa. Mas será esta uma boa altura para o fazer ou será mais favorável no próximo ano?

Não existe uma resposta certa, já que há vários fatores a ter em conta como a evolução dos preços das casas, as taxas de juro e os critérios de acesso ao crédito habitação. E, claro, tudo vai depender ainda da sua disponibilidade financeira.

Apesar das elevadas taxas de juro, que dificultam o acesso ao crédito, e consequente quebra de venda de casas, os preços parecem não ceder.

No final do primeiro trimestre, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os valores de venda das casas registavam uma subida anual superior a 10% e o preço médio de cada casa já ultrapassava os 200 mil euros, a primeira vez que este teto é superado.

À boleia das taxas Euribor, desde o início do ano passado que as taxas de juro dos contratos de crédito habitação batem novos recordes mensalmente. Atualmente, a taxa de juro implícita dos novos contratos está em máximos de abril de 2012 e a taxa implícita de todos os empréstimos à habitação está em máximos de março de 2009.

É que a subida dos juros pelo Banco Central europeu (BCE), para controlar a inflação, tem impacto no crédito à habitação, fazendo subir o preço dos contratos e, logo, das prestações mensais.

Atualmente, os juros representam 57% da prestação da casa.

Esta semana, o Governo apresentou medidas para apoiar as famílias com crédito à habitação. Em cima da mesa, estão propostas como reduzir e estabilizar as prestações dos empréstimos da casa, reforçar a bonificação temporária dos juros para as famílias mais vulneráveis e prolongar a suspensão da comissão habitualmente cobrada pelo reembolso antecipado.

Com o objetivo é tornar mais fácil o acesso ao crédito por parte das famílias, o Banco de Portugal propôs uma medida que visa vai reduzir para metade a taxa de esforço stressada, utilizada nos créditos à habitação associados às taxas Euribor.

O regulador propõe um alívio de 50% da taxa de esforço que é aplicada sobre a taxa de juro dos empréstimos à habitação. Até aqui, os bancos aplicavam um "teste de stress" de 3% sobre a taxa de juro contratualizada no crédito à habitação. Caso a proposta avance, essa "pressão" vai passar para 1,5%, no caso dos empréstimos a mais de 10 anos.

Este mecanismo serve para os bancos avaliarem a capacidade de pagamento dos seus clientes num cenário em que a taxa de juro suba significativamente. À taxa de juro contratada era somado mais 3% para se verificar se os clientes teriam capacidade para continuarem a pagar o crédito. Após este cálculo, a taxa de esforço - peso que a prestação do crédito tem no rendimento da família - dos clientes não pode ultrapassar os 50%.

Perante o cenário de taxas de juro altas, ao reduzir de 3% para 1,5% o "teste de stress", mais empréstimos vão conseguir passar neste teste, tornando assim mais fácil para as famílias acederem ao crédito habitação. Esta medida aplica-se apenas a novos contratos de crédito habitação, a entrar em vigor a partir do final de setembro ou início de outubro.

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