A easyJet é uma companhia aérea low-cost fazendo ligações ponto a ponto. Antes da pandemia vivia "uma fase fabulosa", próxima de atingir os oito milhões de passageiros em Portugal. Apesar da pandemia, que deixou em terra todas as aeronaves, a transportadora já vê o retomar da atividade e acredita que neste ano fiscal (que arrancou em outubro para a easyJet) vai ser possível alcançar os níveis de 2019.
"Portugal, em várias fases, tem sido um destino que vai a frente nesta retoma. Acreditamos que, dentro desta necessidade que existe na aviação, para se abrir o turismo em Portugal que nós, na easyJet conseguimos criar um produto e ser a noiva ideal do nosso País. A easyJet está em vários aeroportos portugueses e tem vindo a reforçar e consegue, dado ser de ponto a ponto, tratar todos esses destinos por igual", disse José Lopes, diretor da easyJet Portugal, no congresso da AHP, que decorre até amanhã no Algarve.
Sublinhou que pretendem continuar a transportar passageiros para todos os aeroportos nacionais e que a companhia se orgulha "de ser uma companhia pan-europeia. Portugal é um dos 8 países onde temos presença jurídica. Em Portugal, somos também uma companhia orgulhosamente portuguesa e vamos continuar a fazer".
"Quando chegou a pandemia íamos numa fase fabulosa. Íamos a caminho dos 8 milhões de passageiros no nosso País - são quase todos potenciais clientes vossos e aconteceu a maior crise da aviação".
O mundo atravessa uma subida acelerada dos preços do petróleo o que tem reflexo nos combustíveis, incluindo no jet fuel (combustível para aviões). Questionado, o líder em Portugal da low-cost assegurou que a capacidade financeira da transportadora lhe permite não subir preços devido à escalada da matéria-prima.
"A easyJet é uma empresa financeiramente forte (...) isso faz com que seja possível preparar esses cenários e, no caso do aumento dos combustíveis, fazer hedging [uma espécie de seguros que protegem contra grandes flutuações de preço] que no evitem estas flutuações de mercado", disse José Lopes. "A easyJet está protegida devido à sua capacidade financeira para essas flutuações. E isso é fundamental para o momento que se aproxima de retoma e posicionamento estratégico", acrescentou.
Por isso, considera que "seria contraproducente" elevar preços.
"Se fossemos obrigados pela crise energética a aumentar preços, seria contraproducente para o que estamos a fazer que é retomar a confiança dos passageiros", frisou ainda.
A TAP, cuja CEO participou no debate, admitiu que a companhia aérea tem hedging para o petróleo para este ano e deverá ter também para o próximo ano. Quanto a uma subida dos preços, Christine Ourmières-Widener não descartou por completou uma atualização. Podemos ter um "impacto nos preços porque as companhias aéreas veem a recuperação como uma oportunidade".
Números de 2019
A aposta da easyJet no mercado nacional é para manter e o líder da transportadora acredita que neste ano já poderá ser possível alcançar níveis de 2019. "Na aviação, acreditamos que globalmente, a capacidade apenas será retomada em 2023 e os níveis de procura em 2024. Felizmente, em Portugal, achamos que será antes", defendeu.
"Começamos o nosso ano fiscal no mês passado e espero que em 2022 a easyJet possa apresentar níveis pelo menos iguais aos de 2019 senão superiores, dependendo muito da capacidade existente nas infraestruturas que, também, depende de disponibilidade de espaço aéreo. Se isso poder acontecer, nós no pior dos cenários vamos manter a capacidade de 2019. Um passo à frente da Europa. E aí também tem grande importância o trabalho que está a ser feito ao nível da vacinação", rematou.
Taxas aeroportuárias
Um dos temas relevantes no mundo da aviação são as taxas aeroportuárias. Thierry Ligonnière, CEO da ANA Aeroportos, apontou alguns números durante a sua intervenção. "Em primeiro lugar é preciso ver o que ficamos. Lisboa, a receita média por passageiros, era 10,91 euros por passageiro em 2015. Em 2021, está em 10,73 euros. No Porto, passámos de 8,15 euros para 7,63 euros. E em Faro, de 8,21 euros para 6,51 euros. As taxas estiveram a descer", disse.
O gestor assegurou ainda que "acompanhamos os desafios que todos tivemos, em particular as companhias aéreas". "Ajudamos com a gratuitidade do estacionamento de emergência são 2,5 milhões de euros que não cobramos em 2020. Taxas de aterragem reduzidas foram 18 milhões que não cobramos. A devolução de taxas que aconteceu ascendeu a 86 milhões de euros", acrescentou.
O líder da easyJet argumentou, por sua vez, que: "a ajuda que o Tierry referiu existiu, mas foi um adiantar de uma devolução que as companhias tinham direito".