

Um consórcio europeu liderado pelo Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT) desenvolveu, ao longo de 30 meses, um projeto para demonstrar o valor económico, social e ambiental dos resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE). Com um investimento de dois milhões de euros, financiado pela União Europeia, desenvolveu ações na Eslovénia, na Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Itália e Portugal, que geraram emprego e receitas, permitiram aumentar a reutilização e reparação destes lixos, e aumentaram a educação ambiental das populações abrangidas.
A implementação do projeto eWAsTER, que termina no fim deste mês, envolveu mais de 400 pessoas, entre peritos das áreas da economia circular, economia social, empreendedorismo e inovação, sensibilização de público, recolha e reciclagem de REEE, a equipas regionais, municipais, ONG, e outras associações. O motor foi o consórcio dirigido pelo PACT e constituído por dez parceiros de oito regiões mediterrânicas.
De acordo com Soumodip Sarkar, presidente executivo do PACT, foram desenvolvidas duas experiências de realidade virtual em Portugal, que sensibilizaram mais de 100 pessoas para os impactos ambientais dos REEE. "Esta experiência é um resultado da contínua aposta do PACT no papel da inovação e das indústrias tecnológicas não só na economia circular, mas também na sustentabilidade e educação europeia", sublinha o responsável.
O PACT coordenou também uma campanha de recolha com a APPACDM Évora, Gesamb, NERE e ERP Portugal, que coletou 670 quilos de REEE e 32 quilos de pilhas, enviados para reciclagem. Por esta iniciativa, a ERP Portugal deu um valor económico de 250 euros à APPACDM Évora.
Na Eslovénia e na Bósnia e Herzegovina, dois parceiros do consórcio criaram 18 postos de trabalho para pessoas em situações de vulnerabilidade social no desmantelamento e reutilização de componentes de REEE. Mais de 100 pessoas receberam formação especializada e vinte empresas contribuíram para o processamento de 24 toneladas de resíduos. Segundo Soumodip Sarkar, prevê-se a manutenção dos postos de trabalho criados.
Estes dois países, testaram novos modelos de reutilização e reparação de componentes eletrónicos, gerando cerca de 4410 euros em receitas estimadas através da criação de produtos de artesanato e souvenirs a partir de componentes recuperados. O custo operacional total foi de 855 euros, traduzindo "um positivo rácio de custo-benefício", salienta.
Na Bulgária, Itália e Bósnia e Herzegovina, três parceiros criaram redes regionais de troca de equipamentos e pontos de reparação. Mais de 150 municípios integram novos mecanismos de doação, reparação, e receção de equipamentos elétricos e eletrónicos. Estas redes estão ligadas a iniciativas de educação, comunicação, e recolha de resíduos em parceria com lojas de reparação e escolas profissionais. No âmbito destas iniciativas, mais de 40 entidades cooperaram na recuperação de 300 equipamentos elétricos e eletrónicos, dos quais 160 foram aprovados para reutilização e troca.
Cinco parceiros levaram modelos de educação participativa a mais de três mil alunos. Campanhas de recolha e atividades lúdicas chegaram também a famílias e comunidades, que contribuíram para a recolha de mais três toneladas de REEE. As 200 salas de aula que integraram o projeto adotaram um programa que promove alunos como “Embaixadores Ambientais” no presente ano letivo.
Para utilização futura, o eWAsTER elaborou a "Metodologia Mediterrânica",que qualquer região pode usar para avaliar o seu ponto de partida e definir ações para reduzir o impacto ambiental dos REEE. Também concebeu oito planos de ação regionais, que traduzem essa metodologia em estratégias adaptadas a cada território. E ainda um "Kit de Transferência", que reúne recomendações para replicar e expandir as soluções do eWAsTER noutros territórios mediterrânicos.
Como sublinha Soumodip Sarkar, "ficou comprovado que os REEE podem existir como recurso não só ambientalmente sustentável, mas economicamente viável".
Sublinhe-se que, em 2023, e segundo dados da Eurostat, foram colocadas no mercado europeu cerca de 14,4 milhões de toneladas de equipamento elétrico e eletrónico. Nesse ano, a taxa de recolha de REEE situou-se nos 37,5%, muito aquém da meta de 65% fixada pela União Europeia. Portugal está entre os Estados-membros com pior desempenho, e apresenta uma das três taxas de recolha mais baixas da UE.