Assinado pacto histórico e o Gemini passa a ser o “cérebro” da Siri

O acordo multimilionário transforma o ecossistema do iPhone. Já Elon Musk ameaça banir dispositivos Apple argumentando “falhas de segurança e soberania de dados”
A ligação entre a Apple e a Google está a ser vista com receio pelo X de Elon Musk.
A ligação entre a Apple e a Google está a ser vista com receio pelo X de Elon Musk.RSF / Gemini AI
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Esta semana abriu com a confirmação de algo que o mercado já há vários meses dava como certo, tal como o DV/DN noticiou: Apple e Google juntaram-se num contrato plurianual que coloca o modelo de Inteligência Artificial Gemini como a fundação principal da “nova Siri”.

Este passo, dado na segunda-feira, dia 12, surge após um período de incerteza em que a Apple avaliou diversos parceiros, decidindo finalmente que a infraestrutura da Google era a única capaz de sustentar a escala global da próxima geração da Apple Intelligence.

Ao contrário da integração inicial com o ChatGPT, que servia como um recurso externo opcional, o Gemini será integrado no núcleo do sistema operativo da marca da maçã. Em comunicado oficial a marca de Cupertino afirma que o modelo da Google servirá de alicerce para os novos Apple Foundation Models. Isto permite que a Siri ganhe uma consciência contextual que até agora não possuía: será capaz de ler o que está no ecrã em tempo real, compreender o histórico pessoal em aplicações nativas e executar ações complexas, como perceber instruções do tipo: “Envia o PDF que recebi ontem para o grupo da família no WhatsApp.”

O impacto financeiro é massivo: a Apple pagará cerca de mil milhões de dólares anuais pelo licenciamento, enquanto a Alphabet (Google) consolidou a sua posição como líder em infraestrutura de IA, atingindo um valor de mercado de 4 mil milhões de dólares (pouco menos de 3,5 mil milhões de euros).

A notícia não foi bem recebida em todos os quadrantes. Elon Musk, CEO da Tesla e da xAI, reagiu de imediato na rede social X, classificando o acordo como um “cavalo de Tróia inaceitável”.

Musk afirmou que a integração de um modelo da Google a nível de sistema operativo representa um risco de segurança nacional e individual, ameaçando novamente banir o uso de iPhones em todas as suas empresas.

Para o homem mais rico do mundo, a Apple está a “ceder a soberania dos dados dos seus utilizadores” a uma empresa que vive da publicidade, o que contradiz a histórica bandeira da privacidade da marca da maçã.

A previsão é que as novas funcionalidades cheguem ao público com o iOS 26.4, entre março e abril deste ano.

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