O presidente da AIP – Associação Industrial Portuguesa, José Eduardo Carvalho, considerou que as medidas avançadas pelo Governo para ajudar na recuperação das empresas atingidas pela depressão Kristin “são boas”, no entanto, há necessidade de serem complementadas.
“As medidas são boas, vão no sentido certo, mas a cada dia que se passa começamos a ter uma perceção da dimensão deste problema. Neste momento, não é só a questão da recuperação dos ativos que está em causa”, alertou esta segunda-feira, 2 de fevereiro, no final de uma reunião que decorreu em Leiria e juntou à mesa responsáveis da NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria, NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém e NERC – Associação Empresarial da Região de Coimbra.
De acordo com José Eduardo Carvalho, a preocupação tem também a ver com a paralisação das empresas e com alguma imprevisibilidade da reposição de energia elétrica.
“Tal vai levar a penalidades contratuais das empresas que não conseguem laborar, lucros cessantes e, portanto, o problema que aqui se coloca não é só o efeito da intempérie, mas com os problemas que já estão a decorrer”, acrescentou.
Na análise feita às medidas do Governo, os empresários entenderam que algumas são “extremamente importantes”, sendo exemplo disso a questão dos licenciamentos, as moratórias fiscais e o pacote de financiamento.
No entanto, face aos prejuízos e aos problemas que as empresas enfrentam, defendeu que “há necessidade de complementar aquelas medidas”.
Aos jornalistas, José Eduardo Carvalho indicou ainda que vão entregar ao Governo, numa reunião que terá lugar esta tarde, um conjunto de sugestões para ajudar as empresas.
“Creio que as moratórias fiscais e os lay-offs têm de ser prorrogados, aquele prazo não é suficiente, face à dimensão que aqui existe. É necessário também entender que, quando se fazem moratórias é necessário assegurar que o Banco de Portugal esteja envolvido no processo e que as moratórias não provoquem ‘defaults’ nas empresas, que criem problemas depois de acesso aos créditos”, concretizou.
Segundo o presidente da AIP, as boas práticas nos pós-incêndios e durante a pandemia de Covid-19 devem ser aproveitadas e aplicadas, “obviamente numa dimensão territorial bem menor”.
“Os efeitos aqui são muito devastadores”, lamentou, indicando ainda que não têm a real noção da dimensão do volume de prejuízos, embora estime que tenham sido atingidos milhares de empresas.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.