

O Barómetro de Conjuntura Económica CIP – Confederação Empresarial de Portugal/ISEG de março de 2026 prevê que o impacto negativo do conflito no Golfo Pérsico no crescimento da economia portuguesa se faça sentir já nos números do primeiro trimestre, podendo intensificar‑se nos trimestres seguintes.
A curto prazo, o aumento da cotação dos produtos derivados do petróleo e do gás natural nos mercados internacionais tenderá a estender‑se aos setores da economia cuja estrutura de custos tem maior exposição aos preços energéticos, invertendo a trajetória descendente da inflação que se observou no segundo semestre de 2025, revela o relatório divulgado esta terça-feira, 31.
“O choque no preço dos produtos energéticos deverá condicionar o crescimento do consumo privado em Portugal e o desempenho do setor exportador”, afirma Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP – Confederação Empresarial de Portugal.
“É um novo impacto negativo, cuja profundidade e duração ainda se desconhece, que se soma ao provocado pelas tempestades de janeiro e de fevereiro: ambos sucedem num contexto de desaceleração relevante da atividade económica face ao ano anterior, consolidando uma tendência que o indicador coincidente CIP/ISEG regista desde novembro de 2025”, acrescenta.
A subida dos preços dos combustíveis, resultante dos ataques dos Estados Unidos da América e de Israel ao Irão, ocorre depois da disrupção na atividade económica causada pelas tempestades e cheias que afetaram Portugal entre janeiro e fevereiro. Embora os estragos tenham sido mais concentrados na Região Centro, o barómetro salienta que a capacidade produtiva de muitas indústrias e empresas de serviços foi significativamente afetada dentro e fora das áreas mais atingidas.
Em fevereiro, apesar dos danos climáticos, os indicadores de confiança registaram uma ligeira recuperação, sustentada pela melhoria das expectativas nos serviços e na indústria transformadora após uma forte quebra em janeiro. Contudo, como observa o barómetro CIP/ISEG, “o indicador de confiança dos consumidores evoluiu negativamente”.
“Os dados que serão divulgados até ao final de abril possibilitarão uma leitura mais objetiva da extensão do impacto do conflito no Golfo para as economias da zona euro e, em particular, para Portugal”, afirma Rafael Alves Rocha.
No entanto, segundo o diretor-geral da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, “muitas empresas que utilizam gás natural estão já a sentir um aumento da sua fatura energética, não sendo possível que continuem a manter os mesmos preços de mercado, sob pena da sua viabilidade económica”. Por isso, a CIP volta a sublinhar “a urgência de apoios diretos às empresas mais afetadas pelo acréscimo dos custos energéticos”.
Rafael Alves Rocha alerta ainda para os efeitos adversos de uma eventual subida das taxas de juro pelo Banco Central Europeu, em reação às crescentes expetativas de inflação desencadeadas pela alta dos combustíveis.
“A inversão da trajetória descendente da inflação que se observou no segundo semestre de 2025 será muito penalizadora, tanto para as famílias, como para a atividade das empresas”, acrescenta o diretor-geral.
De salientar que a próxima edição do barómetro CIP/ISEG, no final de abril, divulgará a previsão para o crescimento da economia no primeiro trimestre de 2026 e no conjunto do ano.