

O Barómetro de Conjuntura Económica CIP/ISEG, divulgado esta sexta-feira, 6, antecipa um arrefecimento da economia portuguesa em cadeia no primeiro trimestre de 2026, embora mantenha uma previsão de crescimento anual entre 1,8% e 2,2%, abaixo dos 2,3% projetados pelo Governo.
O relatório aponta para uma desaceleração do ritmo de expansão no arranque do ano, face aos 0,9% registados no último trimestre de 2025. Para os autores do estudo, esse abrandamento é “inevitável” devido a fatores estruturais e exógenos que vêm deteriorando a dinâmica económica desde finais do ano passado.
Rafael Alves Rocha, diretor‑geral da CIP, sublinha que a moderação se manifesta em vários setores, destacando que a produção industrial, os serviços e o comércio a retalho têm vindo a evidenciar perda de fôlego desde novembro.
A estes fatores soma‑se o impacto das interrupções de atividade em numerosas empresas industriais e explorações agrícolas, consequências dos fenómenos climáticos extremos que recentemente atingiram o território nacional.
Apesar das limitações apontadas, o barómetro realça elementos que continuam a sustentar a procura interna. A evolução “muito positiva” do mercado de trabalho e a utilização dos fundos do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) deverão amortecer a descida do ritmo de actividade neste trimestre, segundo o comunicado.
O documento alerta ainda para riscos externos que podem condicionar a trajectória económica, nomeadamente os efeitos do conflito que envolve os Estados Unidos, Israel e o Irão. Entre as consequências identificadas estão pressões adicionais nos preços dos produtos petrolíferos e o aumento dos custos de transporte a nível mundial, com destaque para o transporte marítimo.