BCE acredita que inflação permanecerá em torno dos 3% durante o resto do ano

Economista-chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane, foi ouvido na Comissão dos Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, numa sessão dedicada ao impacto económico da guerra no Médio Oriente.
BCE acredita que inflação permanecerá em torno dos 3% durante o resto do ano
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A inflação deverá manter-se ligeiramente acima dos 3% durante o resto do ano, afirmou esta terça-feira, 23 de junho, o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, devido, em particular, à subida dos combustíveis.

“Pensamos que a inflação se situará um pouco acima dos 3% durante o resto do ano, o que é consideravelmente superior ao nosso objetivo de 2%”, declarou o economista irlandês perante a Comissão dos Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, numa sessão dedicada ao impacto económico da guerra no Médio Oriente.

Na opinião de Lane, a decisão de aumentar as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,25%, na última reunião do BCE, foi “sólida”, uma vez que um cenário de inflação “acima dos 3% durante o resto deste ano e o início do próximo representa um período prolongado que exige uma resposta de política monetária”.

O economista-chefe do BCE explicou que o aumento dos preços se deve “principalmente” à energia, que registou em maio uma subida de 10,8%, contrastando com os 2,4% observados nos restantes componentes do cabaz de consumo.

O preço dos alimentos, sublinhou Lane, desacelerou para 1,9%, embora o banco central estime que “volte a aumentar mais tarde”. Ao mesmo tempo, foi observado “algum recrudescimento” da inflação subjacente.

O economista irlandês destacou que, dentro dos produtos energéticos, o aumento dos preços é dominado pelos combustíveis utilizados nos transportes, o que torna este choque “muito diferente” do verificado em 2021 e 2022, quando os preços da eletricidade e do gás tiveram um peso mais significativo.

Ainda assim, Lane assinalou que as margens empresariais estão a “absorver” parte do aumento dos custos. Além disso, embora “ainda não se tenha observado uma resposta nos salários”, o BCE estima que a remuneração média por trabalhador crescerá 3,2% este ano, bem como em 2027 e 2028, acima da inflação esperada.

“Ao contrário da última vez, esperamos que o trabalhador médio melhore as suas condições de vida todos os anos”, afirmou o economista-chefe do BCE.

Seja como for, Lane salientou que a situação resultante do conflito no Médio Oriente é “incerta” e, por isso, o BCE não se compromete com uma trajetória predefinida para as decisões sobre as taxas de juro, mantendo uma abordagem dependente dos dados e tomada “reunião a reunião”.

“A crise aumentou a incerteza que persistirá até que exista um acordo duradouro”, afirmou, acrescentando, contudo, que a economia da zona euro tem demonstrado ser “bastante resiliente”, apesar do impacto negativo no crescimento, e que a inflação registou até agora apenas uma subida “moderada”, que está “longe da dimensão” observada em 2022.

A estes fatores junta-se o facto de o mercado de trabalho da zona euro continuar a apresentar um desempenho “sólido”, bem como o efeito dos investimentos do setor público, quer através dos recursos do fundo de recuperação pós-pandemia, quer dos orçamentos nacionais dos Estados-Membros.

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