

O Banco Central Europeu (BCE) aumentou esta quinta-feira, 11, as suas taxas diretoras em 25 pontos base, elevando-as para 2,25% — a primeira subida desde setembro de 2023. A decisão entra em vigor a 17 deste mês.
O Conselho do BCE justificou o aperto com o impacto inflacionista da guerra no Médio Oriente, que eleva riscos para as perspetivas de inflação de médio prazo. Em comunicado, o banco sublinha que a medida é robusta face a vários cenários de evolução do choque e que a orientação da política monetária continuará "dependente dos dados e reunião a reunião".
Com o ajuste, as três taxas de referência passam a ser: facilidade de depósito 2,25%, operações principais de refinanciamento 2,40% e facilidade de cedência de liquidez 2,65% — todas com efeito a partir de 17 de junho deste ano.
O BCE atualizou igualmente as projeções macroeconómicas do Eurosistema, sendo que a inflação média na zona euro deverá situar‑se em 3% em 2026, 2,3% em 2027 e 2% em 2028.
Já a estimativa para o crescimento foi revista em baixa — 0,8% em 2026, 1,2% em 2027 e 1,5% em 2028 — refletindo um impacto mais forte da guerra nos mercados de matérias‑primas, nos rendimentos reais e na confiança.
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou esta quinta-feira, 11 de junho que a crise atual é "diferente" da que se verificou em 2022, adiantando que as perspetivas para a economia nacional são "bastante positivos".
"Como já tinha tido a oportunidade de vos dizer em algumas ocasiões, esta é uma crise diferente de 2022. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, a inflação já estava nos 6%. A inflação está muito longe desses valores, a inflação core, ou seja, sem energia e sem bens alimentares, continua próxima dos 2%", explicou o governante, em declarações aos jornalistas reproduzidas pela RTP Notícias.
O ministro frisa que o BCE "decidiu subir as taxas de juro, mas estamos numa situação muito diferente, quer do ponto de vista de inflação, quer do ponto de vista de taxas de juro do Banco Central, e depois aquelas que interessam às pessoas, a Euribor, mas obviamente, a decisão do Banco Central também tem impacto". "Estamos muito longe da situação de 2022", garantiu.
Miranda Sarmento realça que "as famílias têm assistido a um aumento da Euribor", mas "ainda muito longe daquilo que aconteceu em 2022". "A Euribor, dependendo das maturidades, mas está próxima de 2,5%, em 2022 chegou a ultrapassar os 4%, portanto, veremos nos próximos meses. Há muita incerteza sobre a situação no Médio Oriente (...) que naturalmente é má para a economia, mas estamos muito longe do que aconteceu em 2022, quer em termos de inflação, quer em termos de taxas de juro, e as perspetivas para a economia portuguesa continuam a ser bastante positivas", explicou.