

Os mercados financeiros da zona euro continuam a evoluir num contexto “ordenado”, mas permanecem expostos a uma possível “correção brusca” caso os cenários atualmente muito favoráveis venham a ser desmentidos, alertou hoje o Banco Central Europeu (BCE).
A evolução recente das condições nos mercados da dívida pública e privada “manteve-se ordenada”, com diferenças contidas entre as taxas de juro, embora esta situação esconda fragilidades num contexto geopolítico e orçamental incerto, alertou o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, durante a apresentação do relatório semestral da instituição sobre a estabilidade financeira.
Os rendimentos das obrigações estão atualmente a subir na zona euro, refletindo o aumento dos prémios exigidos pelos investidores e o regresso dos receios inflacionistas, uma evolução que acentua a pressão sobre as finanças.
Os investidores apostam, no entanto, na desaceleração da tensão geopolítica, no controlo da inflação e na ausência de recessão na zona euro.
“No entanto, tudo isto pode mudar”, advertiu Luis de Guindos.
As valorizações dos ativos continuam “elevadas em relação aos padrões históricos”, mas isso “deixa os mercados vulneráveis a uma correção brutal”, insistiu o vice-presidente do BCE, sublinhando a resiliência do sistema bancário europeu face aos choques da última década.
Pandemia, guerra na Ucrânia, tensões no setor energético, crise dos bancos regionais norte-americanos ou ainda a falência do Credit Suisse: estes choques não causaram “qualquer incidente grave em termos de estabilidade financeira na zona euro”, sublinhou.
Ainda assim, a guerra no Médio Oriente “pode aumentar a volatilidade dos mercados e complicar o serviço da dívida, num contexto de custos de financiamento em alta e de crescimento mais fraco”, explicou Luis de Guindos.
Para o vice-presidente, “a margem de manobra orçamental é limitada na Europa”, numa altura em que os Estados já têm de financiar a transição energética, aumentar as despesas com a defesa e tentar limitar o impacto do atual choque energético nas famílias e empresas.