

O Banco Central Europeu (BCE) deverá anunciar esta quinta-feira, 10 de setembro, uma subida das taxas diretoras, segundo a maioria dos analistas ouvidos pela Lusa, que se dividem sobre um novo aumento até ao final do ano.
“Esperamos que o BCE anuncie um segundo aumento da taxa de juro na reunião de 10 de setembro, elevando a taxa dos depósitos para os 2,5%”, disse o diretor de investimento global de Mercados Públicos da Allianz Global Investors (AllianzGI), Michael Krautzberger, que não descarta um novo aumento ainda antes do fim do ano.
“Acreditamos que é provável outro aumento de 25 pontos base em dezembro”, apontou, no comunicado.
Já do lado da Ebury, o analista Roman Ziruk acredita que esta será a última vez que o BCE vai mexer nas taxas diretoras este ano.
“Atualmente, os mercados estão a antecipar outra subida em dezembro e uma nova em março. Julgamos que é muito agressivo. O economista-chefe do BCE, Philip Lane, apontou para 2,5% como o limite superior da zona neutra, por isso um aperto acima do deste mês empurraria a política para terreno restritivo”, refere a previsão da Ebury, que sublinha que as futuras decisões dependerão da evolução da guerra no Irão.
Citado pela Europa Press, o diretor global de macroeconomia da ING Research, Carsten Brzeski, acredita que a decisão será “um aumento das taxas de juro por precaução”.
“Com os preços do petróleo ainda elevados e o risco de uma nova subida drástica do preço do gás a aumentar, a maioria dos responsáveis da política monetária do BCE terá dificuldades em não ver motivos suficientes para mais um aumento das taxas”, acrescentou.
O analista considerou que ir além dos 2,5% seria “atirar mais lenha para a fogueira” num cenário de problemas para as finanças públicas e com o aumento dos juros da dívida, pelo que seria “difícil imaginar que o BCE esteja disposto a arriscar uma recessão para fazer face ao que continua a ser um caso típico de crise de oferta”.
Na reunião de julho, o Conselho de Governadores manteve por unanimidade as taxas diretoras, como era esperado pelo mercado, depois de na anterior reunião de política monetária, em 11 de junho, ter aumentado, pela primeira vez desde 2023, as três taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais para responder ao aumento dos preços globais provocado pelo conflito do Médio Oriente.
Na ocasião, presidente do BCE, Christine Lagarde, disse na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Governadores que em setembro o BCE teria dados novos para tomar a decisão sobre as taxas diretoras e que, por isso, seria possível que decidisse aumentá-las.