BCE diz que impactos geopolíticos podem ampliar tensão financeira e travar crescimento

Impactos geopolíticos e incerteza política tendem a levar a condições financeiras mais severas, a criar tensão no mercado financeiro, a aumentar prémios de risco e a reduzir crescimento do crédito
Christine Lagarde, presidente do BCE.
Christine Lagarde, presidente do BCE.Foto: RONALD WITTEK / EPA
Publicado a

O Banco Central Europeu (BCE) alertou hoje que "os impactos geopolíticos podem amplificar a tensão financeira e travar o crescimento económico" do Velho Continente.

O BCE e o Conselho Europeu de Risco Sistémico (CERS) publicaram esta quinta-feira, 22, um relatório no qual alertam que a fragmentação geoeconómica e o risco geopolítico se tornaram fontes importantes de incerteza macrofinanceira.

Esta incerteza, consideram, pode afetar a estabilidade financeira da Europa.

Por isso, o relatório inclui novos indicadores geopolíticos na análise da estabilidade financeira.

O relatório, intitulado "Riscos para a estabilidade financeira da fragmentação geoeconómica", examina como o aumento dos riscos geopolíticos e da incerteza pode afetar a estabilidade financeira na zona euro e na União Europeia (UE).

Os impactos geopolíticos e a incerteza política tendem a levar a condições financeiras mais severas, a criar tensão no mercado financeiro, a aumentar os prémios de risco e a reduzir o crescimento do crédito.

O documento enfatiza que os riscos geopolíticos e a incerteza política aumentaram muito desde meados da década de 2010, especialmente em 2024 e 2025.

No entanto, a volatilidade nos mercados tem-se mantido contida ou tem sido de curta duração.

Os riscos geopolíticos representam um desafio para a economia real porque alguns eventos geopolíticos podem alterar significativamente a interconexão entre títulos, ‘commodities’, ações e taxas de câmbio.

O impacto é maior nos países com economias mais abertas e naqueles com maior endividamento público.

Os bancos e outras empresas ajustam seus balanços em resposta aos impactos geopolíticos, reduzindo os empréstimos, especialmente nas exposições transfronteiriças.

Dessa forma, reduz-se a exposição do sistema financeiro a choques externos, mas também se limita a diversificação internacional, segundo o documento.

Christine Lagarde, presidente do BCE.
Presidente do BCE critica Trump por não cumprir alianças estabelecidas

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt