

O jornal Financial Times noticiou esta quarta-feira, 18, que Christine Lagarde pretende abandonar o cargo de presidente do Banco Central Europeu antes do final do mandato, mas um porta-voz da instituição disse que a dirigente "não tomou nenhuma decisão".
"A presidente [Christine] Lagarde está totalmente concentrada na missão que está a desempenhar e não tomou nenhuma decisão sobre o fim do mandato", afirmou o porta-voz numa mensagem enviada à Agência France Presse, desmentindo assim as informações divulgadas hoje pelo jornal britânico.
O Financial Times noticiou que a francesa que preside o Banco Central Europeu (BCE) pretende deixar o cargo, de oito anos, antes do fim do mandato.
A notícia do Financial Times cita uma fonte próxima de Lagarde, mas que no foi identificada.
Segundo o jornal, Lagarde quer deixar o cargo antes das eleições presidenciais francesas do próximo ano.
De acordo com a Agência France Presse, a notícia do Financial Times provocou uma reação no mercado cambial com o euro a cair 0,16%, para os 1,18 dólares.
Na liderança do BCE desde novembro de 2019, após ter dirigido o FMI, Christine Lagarde "gostaria", segundo a mesma notícia do Financial Times, de deixar aos líderes francês e alemão a possibilidade de chegarem a um acordo sobre o sucessor à frente da instituição europeia.
O presidente francês Emmanuel Macron, que não pode concorrer a um terceiro mandato como chefe de Estado, gostaria de influenciar a escolha do futuro presidente do BCE, num contexto político europeu considerado sensível, acrescentou o Financial Times.
A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, lidera as sondagens para as eleições presidenciais.
Em caso de impedimento após a condenação em tribunal, o dirigente do partido Rassemblement National (RN), Jordan Bardella pode substituir Le Pen como candidato presidencial em França.
O mandato de Christine Lagarde tem sido marcado por uma sucessão de crises, primeiro a pandemia da Covid-19, depois a invasão russa na Ucrânia, o aumento da inflação e pela "guerra" comercial com os Estados Unidos.
O BCE chegou a aumentar drasticamente as taxas de juro em 2022, antes de iniciar uma flexibilização a partir de 2024.
A nomeação de Lagarde como presidente do BCE ocorreu depois de Macron e a então chanceler alemã, Angela Merkel, chegarem a um acordo em 2019, referiu o Financial Times na edição de hoje.