BCE rejeita relação automática entre subida dos preços da energia e das taxas de juro

Christine Lagarde salienta que a política monetária também acautela o crescimento e o consumo.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine LagardeEPA/BRYAN MEADE
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A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, rejeitou esta sexta-feira, 18 de setembro, uma relação “automática” entre a evolução dos preços da energia e das taxas de juro, salientando que a política monetária também acautela o crescimento e o consumo.

“As taxas de juro não acompanham automaticamente a evolução dos preços da energia, porque, obviamente, o preço da energia e o seu impacto nos preços têm também efeitos sobre outros fatores, nomeadamente o crescimento e o consumo, e temos todos esses elementos em consideração”, disse Christine Lagarde, falando em conferência de imprensa após a reunião informal dos ministros das Finanças da zona euro, em Dublin pela presidência irlandesa do Conselho da UE.

“Portanto, não existe um mecanismo automático de correspondência entre os dois”, insistiu.

O BCE decidiu, na semana passada, aumentar as três principais taxas de juro em 25 pontos base, justificando a decisão com as pressões inflacionistas provocadas pelo conflito no Médio Oriente, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão, e com a necessidade de garantir que a inflação se fixa na meta de 2% para estabilidade dos preços.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde
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“Como sabem, aumentámos as nossas taxas em 25 pontos base. A incerteza define em grande medida o nosso horizonte económico e ficou muito claro para todos que esta decisão era necessária para cumprirmos o nosso compromisso de atingir a nossa meta de 2% no médio prazo”, reforçou Christine Lagarde.

A posição surge numa altura em que a guerra no Médio Oriente está a pressionar os preços da energia, aumentando os riscos de novas pressões inflacionistas, e num contexto em que o BCE tem mantido as taxas de juro em níveis elevados para assegurar a estabilidade dos preços.

Esta sexta-feira realiza-se em Dublin o encontro informal do Conselho de Assuntos Económicos e Financeiros, juntando os 27 ministros – incluindo o português, Joaquim Miranda Sarmento – para troca de pontos de vista sobre questões estratégicas, sem tomada de decisões.

Um assunto abordado foi a futura moeda eletrónica que será emitida pelo BCE, o euro digital.

Nestas declarações à imprensa, Christine Lagarde exortou: “Esperamos muito que o processo legislativo atualmente em discussão sobre o euro digital seja concluído e finalizado antes do final deste ano - e quanto mais cedo, melhor”.

“Estou muito grato à presidência irlandesa [do Conselho da UE], que indicou a sua determinação em fazer avançar esta questão, para que possamos avançar com a implementação do projeto-piloto, de acordo com o previsto, em meados de 2027”, disse ainda.

Em julho passado, o Parlamento Europeu aprovou o início das negociações com o Conselho da UE sobre a criação do euro digital, uma nova forma eletrónica de dinheiro emitida pelo Banco Central Europeu.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde
Parlamento Europeu aprova início de negociações na UE para criação de euro digital

Tal luz verde permitiu dar início às discussões entre as instituições europeias sobre a matéria, com a participação da presidência irlandesa do Conselho, em representação dos Estados-membros.

A proposta prevê que o euro digital funcione como complemento ao dinheiro físico e aos atuais meios de pagamento eletrónicos, podendo ser utilizado tanto com ligação à internet como em modo ‘offline’.

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