

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou esta quinta-feira, 11, em conferência de imprensa em Frankfurt, que a subida das taxas de juro em 25 pontos base "é um sinal e é necessário" e que a decisão foi tomada por unanimidade, sem outras alternativas terem sido debatidas.
Lagarde explicou que a decisão se baseou na avaliação da situação económica, na incerteza em que se navega e nas projeções de inflação elaboradas pela equipa do Eurosistema.
A líder do BCE disse que a discussão centrou‑se no choque de energia verificado desde o início de março, que se tem prolongado mais do que previsto pelos analistas geopolíticos e que se está a transmitir à economia através de custos diretos e indiretos.
A presidente reiterou que a decisão foi "unânime, sem reservas" e que não foram consideradas outras opções como uma subida maior ou uma pausa.
Lagarde acrescentou que, segundo as previsões do Eurosistema, a inflação deverá situar‑se nos 3% em 2026, permanecer no arranque de 2027 e regressar à meta de 2% apenas na segunda metade de 2027.
As declarações de Christine Lagarde surgiram logo após o Banco Central Europeu (BCE) ter anunciado o aumento das suas taxas diretoras em 25 pontos base, elevando-as para 2,25% — a primeira subida desde setembro de 2023. A decisão entra em vigor a 17 deste mês.
O Conselho do BCE justificou o aperto com o impacto inflacionista da guerra no Médio Oriente, que eleva riscos para as perspetivas de inflação de médio prazo. Em comunicado, o banco sublinha que a medida é robusta face a vários cenários de evolução do choque e que a orientação da política monetária continuará "dependente dos dados e reunião a reunião".
Com o ajuste, as três taxas de referência passam a ser: facilidade de depósito 2,25%, operações principais de refinanciamento 2,40% e facilidade de cedência de liquidez 2,65% — todas com efeito a partir de 17 de junho deste ano.
O BCE atualizou igualmente as projeções macroeconómicas do Eurosistema, sendo que a inflação média na zona euro deverá situar‑se em 3% em 2026, 2,3% em 2027 e 2% em 2028.
Já a estimativa para o crescimento foi revista em baixa — 0,8% em 2026, 1,2% em 2027 e 1,5% em 2028 — refletindo um impacto mais forte da guerra nos mercados de matérias‑primas, nos rendimentos reais e na confiança.