

O Banco de Portugal (BdP) alterou o contrato-promessa da compra da nova sede em Entrecampos, Lisboa, para ficar apenas com um edifício, em vez de dois, havendo uma redução do investimento em 35 milhões de euros, para 225 milhões.
A alteração foi assinada esta semana entre o BdP e a Fidelidade, promotora da construção das futuras instalações, através de um aditamento ao contrato-promessa de compra e venda celebrado em 2025, segundo um comunicado divulgado esta quinta-feira pelo BdP.
Com a mudança, o valor da compra do edifício baixa de 191,99 milhões de euros para 165,09 milhões e o montante global do investimento estimado, que inclui o mobiliário e capacitação técnica para o espaço entrar em funcionamento, será de 225 milhões de euros, menos 35 milhões do que o projetado na versão inicial (260 milhões de euros).
O contrato promessa inicial previa a compra de dois edifícios separados, unidos por um túnel (os chamados edifícios A3 e A2).
A alteração ao contrato prevê uma troca de edifícios, para uma única torre do mesmo empreendimento (o edifício A1), que se encontra localizado ao lado dos anteriormente escolhidos.
Além do edifício de trabalho, o banco terá ainda um auditório localizado separadamente, no edifício A3, ao qual os trabalhadores acederão pelo exterior.
Num comunicado, o BdP explica que “esta alteração, que prevê a aquisição do edifício A1, bem como dos espaços de uso comercial adjacentes a este edifício e ao edifício A3” – para o auditório –, “vai permitir uma otimização do projeto em termos de localização, segurança e investimento, sem comprometer os objetivos traçados em 2025”.
A construção do edifício deverá estar concluída seis meses mais tarde do que o previsto inicialmente. Em vez do último trimestre de 2027, “a concretização final da transação está prevista para o final do primeiro semestre de 2028”, refere agora o banco central.
A entrega do edifício irá ocorrer até junho de 2028, decorrendo posteriormente a capacitação técnica dos espaços, prevendo o banco central que a mudança dos trabalhadores ocorra até ao final de junho de 2030, segundo informação oficial do BdP.
O novo empreendimento nos terrenos da antiga Feira Popular, no centro da capital, irá concentrar todos os serviços do banco central português, hoje dispersos por quatro locais diferentes na capital.
A sede, atualmente localizada na Baixa de Lisboa, passará para Entrecampos, mas o edifício histórico vai continuar a ser propriedade do banco central, que ali manterá o Museu do Dinheiro e os serviços de atendimento ao público atualmente existentes (tesouraria, que na prática é a agência de Lisboa do BdP).
A concentração dos escritórios numa única localização permitirá “reduzir custos operacionais num montante estimado superior a 10 milhões de euros”, valor já previsto na opção inicialmente contratada, sendo que “a opção pelo edifício A1, em detrimento da opção pelos edifícios A2+A3, permite adicionalmente uma redução do investimento inicial”, sustenta o banco.
A área bruta de construção será de 27 mil metros quadrados, menos 5 mil do que no modelo anterior (32 mil).
O contrato de compra e venda inicial foi celebrado com a Fidelidade em 02 de maio de 2025, quando Mário Centeno era governador do BdP, projeto que gerou polémica relativamente ao valor da aquisição e ao valor global do investimento.
O jornal 'online' Observador noticiou em 21 de julho de 2025 que o valor global seria superior a 192 milhões de euros, pois o montante divulgado referia-se apenas às obras estruturais, estimando o jornal que o custo total subisse para 235 milhões de euros.
O jornal noticiou ainda haver alertas de consultores do BdP, designadamente sobre os licenciamentos e a eventual necessidade de avaliação de impacte ambiental na construção do parque de estacionamento.
A notícia deu origem a uma polémica política, com o Governo de Luís Montenegro (PSD/CDS-PP) a anunciar uma auditoria da Inspeção Geral de Finanças (IGF) ao processo.