

As bolsas regressaram à normalidade, aparentemente ultrapassado que está o pico da tensão ligada à guerra. Os futuros do petróleo bruto negoceiam abaixo dos níveis anteriores à guerra e os mercados financeiros entram agora em dias com menor número de referências, à espera da época de resultados, que chega em meados de julho.
Esta quinta-feira, 2 de julho, saíram os dados do emprego nos EUA, que eram a mais importante referência macro do dia. Estes mostram que a criação de emprego não-agrícola se ficou por metade do esperado (57 mil novos postos de trabalho), mas também que a taxa de desemprego recuou, ainda que de forma ligeira (até 4,2%, menos 0,1 pontos percentuais do que um ano antes).
As reações foram positivas nos mercados financeiros na Europa, com os índices de referência a fecharem com subidas acima de 1%, em linha com o Euro Stoxx 600, que funciona como bússola para o mercado europeu de forma genérica. O PSI seguiu pelo mesmo caminho.
O alemão DAX foi mais além, ao ganhar para lá de 2%, já que beneficiou de um disparo de quase 9% na capitalização de mercado da Bayer. A gigante farmacêutica criou uma subsidiária que vai concentrar todo o negócio de glifosato (um herbicida) nos EUA. A decisão está a ser vista como uma tentativa de reduzir riscos associados a litígios referentes a alegações de cancro conectadas ao herbicida Roundup.
Por outro lado, se Wall Street começou por reagir no 'verde' aos dados do emprego, os índices acabariam por cair para terreno negativo e mostravam depois um sentimento misto, até às 18 horas de quinta-feira. Nas praças asiáticas, a maioria dos principais índices fecharam a ganhar menos de 1%, mas o japonês Nikkei fugiu à regra, ao cair perto de 2,5%.
Neste misto de subidas e descidas, o MSCI World registava uma variação diária nula, igualmente pelas 18 horas de quinta-feira. Segue mais de 1.300 empresas de grande e média capitalização, distribuídas por 23 países. Permite ter exposição aos mercados desenvolvidos (em particular EUA, Japão, Reino Unido e Europa), pelo que atrai o interesse de muitos investidores. Dito iso, torna-se um índice importante de acompanhar.
Em simultâneo, está bem patente a perceção de que a maior tensão decorrente da guerra já passou. Ainda não está de pé um acordo de paz sólido, mas a realidade parece caminhar para tal ou, pelo menos, é assim que a generalidade dos investidores avalia o cenário.
É que a generalidade das bolsas já recuperaram das perdas registadas desde o início da guerra, ou seja, desde o fecho da última sessão de fevereiro. A isto soma-se um sinal ainda mais decisivo e que ganha peso depois das movimentações observadas nos últimos meses.
É que as negociações de Petróleo Brent (referência europeia para os contratos futuros daquela matéria prima) ficaram perto de tocar os 70 dólares por barril, o que significa que estão atingiram o nível mais baixo desde o início da guerra no Médio Oriente. Isto porque o tráfego no estreito de Ormuz está quase normalizado, pelo que as inseguranças dos investidores desvaneceram.
Ainda assim, é de lembrar que 2026 começou com as negociações em torno dos 60 dólares por barril, o que significa que, até às 16h30 de quinta-feira, estava 16% acima daquele nível. Isto porque os dois primeiros meses do ano ficaram marcados por um acumular de tensões, que geraram uma subida dos preços, até aos disparos que se verificaram a partir do início de março.
A mesma tendência está a marcar as negociações pelo homónimo norte-americano. O West Texas Intermediate aproximou-se dos 67 dólares por barril, o que significa que tocou igualmente o patamar mais baixo desde o início da guerra. Em todo o caso, está cerca de 17% acima dos valores negociados a fechar 2025, em linha com o que acontece no Brent.
Olhando para esta sexta-feira, a bolsa de Nova Iorque não vai abrir, em função do feriado referente ao Dia da Independência (que se assinala no sábado). Vão faltar referências de peso tanto nesta data como na próxima semana, ainda que quarta e quinta-feira ficarão marcadas pela divulgação das atas da última reunião do BCE e da Fed.
Assim sendo, o mercado pode entrar em silly season, até que tenha início a época de resultados do segundo trimestre. Esta vai ter início em meados de julho, nos EUA. A expetativa é muito positiva, já que se espera que os lucros disparem no segundo trimestre, tal como aconteceu no primeiro.