Banco do Fomento injetou 13,4 mil milhões na economia e apoiou 35 mil empresas desde janeiro de 2025

Atividade do BPF já representa 2,3% do PIB e lucros subiram para 8,1 milhões, revelou a instituição, esta quarta-feira, na apresentação dos impactos e resultados, que decorreu em Lisboa.
Gonçalo Regalado, presidente do Banco Português de Fomento (BPF).
Gonçalo Regalado, presidente do Banco Português de Fomento (BPF).Foto: Reinaldo Rodrigues
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O Banco Português de Fomento (BPF) canalizou 13,4 mil milhões de euros para a economia nacional e prestou apoio a mais de 35 mil empresas entre janeiro de 2025 e outubro de 2026. Estas contas foram divulgadas na apresentação de impactos e resultados do BPF no atual mandato, que decorreu esta quarta-feira (4 de novembro) na Unicorn Factory, em Lisboa.

Os números, apresentados pela administração liderada por Gonçalo Regalado, colocam o peso da instituição no equivalente a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) português, com a entidade a prever atingir os 2,7% até ao fecho do ano. O responsável defende que a atividade da instituição deve ser medida pela sua capacidade de proporcionar os meios necessários para que o tecido empresarial possa "investir, crescer e competir".

A vertente dos instrumentos de garantia assumiu a maior quota do capital disponibilizado, somando 9,7 mil milhões de euros para facilitar o acesso ao crédito bancário tradicional. No âmbito das Garantias Pré-Aprovadas, o mecanismo abrange atualmente 155 mil empresas, num montante global elegível que ultrapassa os 45 mil milhões de euros. Em simultâneo, o financiamento direto a grandes projetos absorveu 4,66 mil milhões de euros, enquanto o braço de crédito à exportação, a Fomento Trade, viabilizou 909 milhões de euros para a internacionalização de marcas nacionais.

Na gestão das verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), sob cuja alçada gerida pelo BPF estão 13% do envelope total, a taxa de execução ultrapassou a meta inicial ao atingir os 115%. O Fundo de Capitalização e Resiliência (FdCR) concretizou investimentos de 1,4 mil milhões de euros, ao passo que o Instrumento de Financiamento para a Inovação e Competitividade (IFIC) atribuiu 1,5 mil milhões em subvenções a 3.403 empresas, alavancando um investimento total de 3,1 mil milhões de euros.

Um estudo da consultora Informa D&B, focado nas empresas apoiadas pela instituição entre 2023 e 2026, indica que estas entidades geram 19,8 mil milhões de euros em Valor Acrescentado Bruto (VAB) — correspondente a 12% do PIB nacional — e asseguram 469 mil postos de trabalho. O documento sublinha ainda que o grupo de empresas financiadas pelo BPF apresenta uma taxa de crescimento do investimento em ativos fixos superior em 9,2 pontos percentuais à média da economia nacional, ultrapassando-a também na expansão das exportações em 7,4 pontos percentuais.

Até outubro de 2026, a instituição já tinha mobilizado 6,8 mil milhões de euros, mantendo a meta de fechar o ano nos oito mil milhões. Para o exercício de 2027, o plano estratégico do BPF prevê atingir uma mobilização superior a dez mil milhões de euros e elevar o impacto económico para mais de 3% do PIB, fasquia que pretende expandir para os 12 mil milhões de euros e 3,5% do PIB no decorrer de 2028.

Lucro do BPF cresce para 8,1 milhões de euros até setembro

O BPF encerrou os primeiros nove meses do ano com um resultado líquido individual de 8,1 milhões de euros, um crescimento expressivo face aos 5,2 milhões de euros apurados em igual período de 2025. O desempenho registado até setembro supera já a totalidade do lucro obtido no conjunto do ano transato, que se tinha fixado nos 7,8 milhões de euros.

Com este resultado, a instituição cumpre 76% do orçamento previsto para a globalidade do ano — estimado em 10,6 milhões de euros — e supera em quase duas vezes o objetivo intercalar definido para os primeiros nove meses, que era de 4,3 milhões de euros. A rendibilidade dos capitais próprios (ROE) acompanhou a trajetória ascendente, subindo de 1,2% para 1,9%. A administração prevê fechar o ano com um ROE de 2%, mantendo a meta de alcançar os 3,5% até ao final da década.

A melhoria dos indicadores financeiros coincide com a operacionalização do plano de aumento de capital da instituição junto do seu acionista único, o Estado. A operação prevê um reforço global de 1,5 mil milhões de euros, elevando o capital social do banco promocional dos anteriores 505 milhões de euros para os dois mil milhões de euros.

Embora a subscrição da totalidade do valor tenha ficado formalizada, a injeção efetiva de capital será realizada de forma faseada ao longo de quatro anos, devendo estar concluída até 2030. A primeira tranche do financiamento público deu entrada no balanço da entidade no fecho do último trimestre.

A instituição financeira registou um crescimento de 65% nas suas receitas principais (produto bancário), que ascenderam aos 38 milhões de euros. O desempenho operacional também registou progressos significativos: o indicador de eficiência (cost-to-income) desceu para os 54% — uma evolução positiva face aos 64% contabilizados em 2025 e aos 74% inicialmente projetados —, impulsionado por uma poupança de 30% nos gastos face ao orçamento. Os fundos provenientes do IFIC ajudaram a alavancar o ativo líquido, que multiplicou por 2,3 e atingiu os 1,6 mil milhões de euros, enquanto os capitais próprios avançaram para os 612 milhões (comparando com os 592 milhões de há um ano). Em termos de solidez financeira, o rácio de capital CET1 fixou-se nos 31%, duplicando o patamar mínimo exigido de 15%.

O comportamento da sinistralidade superou as estimativas mais otimistas, já que o banco apurou uma taxa de incumprimento de apenas 0,19% na sua carteira de garantias (com a ativação de 98 garantias, no valor de nove milhões de euros, num universo próximo de 37 mil contratos). No plano regulatório, o volume de auditorias e recomendações de supervisão pendentes recuou 64% face a dezembro de 2024, restando 90 processos por fechar (excluindo os dossiês relativos ao branqueamento de capitais). Deste total, as falhas consideradas de risco elevado sofreram uma redução drástica, caindo de 52 para 11.

O líder do Banco de Fomento, Gonçalo Regalado, sublinhou que o investimento e o reconhecimento do capital humano constituem outro pilar estratégico no processo de reestruturação do grupo. Atualmente, a equipa direta do BPF é composta por 315 profissionais, apresentando um nível de fidelização de quadros de 97%. Quando alargado a todo o universo do Grupo BPF, o número de trabalhadores ascende a 760, mantendo uma taxa de permanência institucional na ordem dos 96%. De acordo com os dados partilhados pela entidade, as melhorias nas políticas de valorização interna traduziram-se, em 2026, num nível de contentamento dos colaboradores fixado em 76%, consolidando o envolvimento das equipas com o projeto organizacional.

Gonçalo Regalado, presidente do Banco Português de Fomento (BPF).
Estado injeta 1,5 mil milhões no BPF até 2030 para impulsionar financiamento às empresas