“Tomámos essa opção estratégica há quase uma década, em 2014”, disse Olga Pereira, a vereadora da Câmara Municipal de Braga com o pelouro da Mobilidade e também presidente da Transportes Urbanos de Braga (TUB). Os frutos dessa estratégia demoraram mais do que o previsto, mas vão poder colher-se no final do primeiro semestre de 2026 com a entrada em funcionamento da primeira linha de BRT. “Esperamos ter a primeira linha a operar até 30 de junho do próximo ano”, disse Olga Pereira. A presidente da TUB adiantou que “a obra já se encontra em fase de adjudicação”, depois de realizados os estudos de tráfego e do território, para definir os melhores percursos.
O sistema de BRT assenta numa via dedicada ao transporte público em que a plataforma nas paragens é elevada à altura do veículo, para acelerar as entradas e saídas, e o bilhete pré-comprado nas paragens para reduzir ao mínimo o tempo de interrupção das viagens. O veículo tem ainda a particularidade de ser elétrico, sem emissões de gases com efeitos de estufa.
Mas qual é a grande vantagem deste sistema face a um metro subterrâneo ou ligeiro de superfície? Olga Pereira responde sem hesitações: “o custo do BRT é cinco vezes mais baixo do que o metro”. Mas não se trata apenas de uma questão de ordem orçamental. “A obra é de muito mais rápida execução, ao mesmo tempo que causa menor impacto na infraestrutura da cidade”, explica. E isso não é um simples pormenor quando estamos a falar de cidades muito antigas.
Segundo a autarca, “a primeira linha de BRT vai sair da Estação de Caminhos de Ferro e seguir pela Rua de Caires, Avenida da Imaculada Conceição, Avenida João XXI, Avenida Joaão II, Universidade do Minho e Hospital, fazendo também o percurso inverso”.
O projeto contempla várias fases e prevê dez autocarros em via dedicada, num investimento total da ordem dos 76 milhões de euros para as quatro linhas que estão projetadas. O projeto teve luz verde do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em 2021, que vai financiar a obra integralmente, adiantou a vereadora.
As estimativas da presidente da TUB é que haja uma mudança de comportamento dos munícipes no sentido de uma transferência do carro individual para o transporte público. “Descongestionar o trânsito é uma prioridade absoluta, numa altura em que a população de Braga cresceu mais de 7%, contando-se já em mais de 200 mil pessoas”, de acordo com o útimo Census. Este crescimento populacional significa também mais carros em circulação. “Diariamente entram 100 mil carros a norte”, exemplificou, ao mesmo que assumiu que o tráfego já não flui na cidade. “Se não oferecermos alternativas de mobilidade as pessoas para abandonarem o automóvel, a sua qualidade de vida deteriora-se”. Por outro lado, “não é sustentável que 44% das pessoas que usam o carro na cidade o façam para percorer distâncias inferiores a 3km. O autocarro, a bicicleta ou o andar a pé devem ser alternativas”, diz.
“ Até ao final do ano vai começar o concurso para a primeira fase entre Serpins e a Portagem, num trajeto de 36 km”, anunciou João Marrana.Até final de 2026, a Metro do Mondego estima o arranque do projeto entre a Portagem e Coimbra B, num total de 3 km e por fim a ligação ao Hospital Pediátrico na zona alta da cidade.
O investimento de 220 milhões de euros deverá servir 13 milhões de passageiros/ano, quando estiver em velocidade de cruzeiro, daqui a três anos, estima João Marrana. “Não tenho dúvidas que vai revolucionar a mobilidade em Coimbra e a uitilização do transporte público deverá duplicar”, disse o gestor.