Bruxelas divulga primeiras previsões económicas após início de guerra do Irão

Passaram quase três meses desde o início do conflito, que impactou o fornecimento de petróleo e gás à UE, altamente dependente de combustíveis fósseis importados e exposta às tensões geopolíticas.
Valdis Dombrovskis, comissário europeu da Economia
Valdis Dombrovskis, comissário europeu da EconomiaFRANÇOIS LENOIR / União Europeia
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A Comissão Europeia divulga esta quinta-feira, 21, as previsões económicas de primavera, as primeiras desde o início da guerra do Irão causada pelos ataques norte-americanos e israelitas em fevereiro passado, esperando-se um crescimento económico mais lento e maior pressão inflacionista.

A divulgação ocorre quando se assinalam quase três meses desde o início do conflito, que impactou o fornecimento de petróleo e gás à União Europeia (UE), altamente dependente de combustíveis fósseis importados e exposta às tensões geopolíticas.

As previsões atualizadas deverão refletir uma desaceleração do crescimento económico europeu este ano e no próximo, já afetado pela incerteza global e pela menor procura externa, bem como maior pressão sobre a inflação, sobretudo através da energia e das cadeias de abastecimento.

Isto num contexto em que os países da UE têm pouca margem orçamental para responder, dado que esta é a segunda crise energética em quatro anos, e tentam responder a novos desafios ao nível da defesa e segurança.

Uma análise de cenários realizada pela Comissão Europeia e divulgada no final de março aponta que, perante uma curta duração da crise energética, o crescimento da UE poderá ficar 0,2 a 0,4 pontos percentuais abaixo do previsto nas previsões económicas de outono, divulgadas em novembro passado.

Por seu lado, a inflação poderá subir até um ponto percentual.

Se as disrupções no fornecimento de energia forem mais prolongadas ou graves, o impacto será maior, de acordo com Bruxelas, que prevê que o crescimento poderá recuar 0,4 a 0,6 pontos percentuais, e a inflação aumentar entre 1,1 e 1,5 pontos percentuais, tanto em 2026 como em 2027.

Os impactos orçamentais serão avaliados nas previsões económicas que serão divulgadas hoje pelo executivo comunitário pelas 10:30 de Lisboa.

Numa audição parlamentar no início de abril, o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, defendeu que Portugal pode ter “alguma margem de manobra” para lidar com a crise causada pelo conflito no Médio Oriente dada a sua situação orçamental, mas admitiu impactos nos preços dos combustíveis e no poder de compra.

O conflito no Médio Oriente começou em 28 de fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão, que retaliou com mísseis e drones, bem como com o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, importante rota do petróleo mundial.

Tal bloqueio tem vindo a causar forte aumento dos preços de petróleo e gás, volatilidade nos mercados de energia e receios de falta de combustível.

Após quase três meses de conflito, o cessar‑fogo provisório em vigor trouxe algum alívio, mas a incerteza geopolítica e os impactos devem persistir nos próximos meses.

Nas previsões económicas de outono, divulgadas em meados de novembro passado, o executivo comunitário estimou que o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal avance 2,2% em 2026, mantendo a projeção anterior, e 2,1% em 2027.

Na altura, a Comissão Europeia falou numa subida de 1,2% do PIB da zona euro este ano, uma revisão em baixa de dois pontos percentuais, e de 1,4% em 2027.

No conjunto da UE, Bruxelas estimou um aumento de 1,4% do PIB em 2026, uma descida relativamente aos 1,5% anteriormente projetados, bem como de 1,5% em 2027.

Quanto à inflação, a Comissão Europeia antecipou descidas na zona euro para 2,1% em 2026 e para 2% em 2027.

Tendo em conta os 27 Estados-membros da UE, foi projetado que a inflação se situe em 1,9% em 2026 e em 2,2% em 2027, segundo a Comissão Europeia, que previu ainda uma taxa de 2% em Portugal em 2026 e 2027.

Valdis Dombrovskis, comissário europeu da Economia
Empresas da zona euro preveem fortes aumentos de preços com prolongar da guerra
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