

Reduzir “o mais possível” o consumo de combustíveis e de gás é a solução imediata recomendada pela Comissão Europeia para enfrentar a crise energética que resulta de mais de um mês de guerra no Golfo Pérsico com forte alta nos preços.
A proposta foi comunicada pelo comissário europeu da Energia, Dan Jorgensen, esta terça-feira, após uma reunião de emergência de ministros da Energia da UE, numa conferência de imprensa em que admitiu que as consequências desta crise podem ser prolongadas.
“Não podemos ter a ilusão de que as consequências vão ser temporárias, porque não vão”. E, lembrou, “mesmo que a guerra acabasse amanhã, a destruição das infraestruturas de produção irá sempre prolongar a perturbação”. Apesar disso, Bruxelas continua a defender que a segurança do abastecimento está garantida.
O apelo à poupança _ que é também partilhado pela ministra portuguesa do Ambiente e da Energia _, dirige-se muito em particular aos transportes e à aviação, porque existe uma dependência elevada de jet fuel (que consomem os aviões) da região do Golfo. Por isso, conduzir menos e voar menos são agora as palavras de ordem.
Segundo o seu responsável para a Energia, a Comissão Europeia “deverá libertar muito em breve um pacote de medidas e de orientações para os Estados-membros”, onde deverá constar o apelo ao uso do transporte público ou carro partilhado e recomendações aos países, para na medida das suas circunstâncias, reduzirem “o máximo que puderem” a procura por combustíveis.
"Ao mesmo tempo, o aumento da utilização de biocombustíveis poderá ajudar a substituir os produtos petrolíferos fósseis e aliviar a pressão sobre o mercado", sugeriu Dan Jorgensen, tal como tem defendido também a Associação de Produtores de Produtos de Bioenergia (APPB), como o DN noticiou esta segunda-feira, 30.
No espaço europeu, os preços do gás subiram em média 17% no gás e 16% no petróleo desde o início da guerra no Irão, explicou Dan Jorgensen.
Mas questionado sobre se entre as orientações constará uma descida mais vincada dos impostos sobre os combustíveis, à imagem do que sucedeu em Espanha, o comissário recusou-se a defendê-la. “Compreendo que os países têm diferentes circunstâncias”, mas “os países quando aplicam medidas têm que ter em consideração medidas que reduzam a procura”, disse. O preço alto é também um fator de redução involuntária da procura.
Ainda esta terça-feira o ministro do Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento garantiu que escalada dos preços da energia não se está a traduzir em receita fiscal adicional, argumentando que a receita arrecadada com IVA está a ser deduzida no valor do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP).“Nos combustíveis, o Estado não está a ganhar dinheiro”, garantiu o ministro durante a audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública.
Antes da reunião de ministros da Energia, na qual participou por videoconferência, a ministra Maria da Graça Carvalho defendeu também a importância de colocar a tónica na poupança e disse que proporia aos seus pares uma coordenação de esforços nesse sentido. A governante destacou que Portugal “está melhor do que os outros países” em termos de poupança energética. “Temos feito muito. Estamos melhor do que os outros países, em termos de renováveis, de poupança de energia, na eletrificação das habitações e dos transportes”, argumentou.
“Se o preço está caro e se pode haver um cenário de problema de abastecimento o que temos de fazer é poupar, sem criar alarmismos, sem prejudicar a economia”, defendeu.