O efeito das tempestades do último inverno que afetaram Portugal, mas especialmente a região Centro do país a partir do final de janeiro e durante três semanas, às quais veio somar-se o impacto da nova guerra no Médio Oriente, provocou uma quebra histórica e significativa no emprego da zona Centro, fazendo deste primeiro trimestre de 2026 o pior arranque de ano desde 2020, quando eclodiu a pandemia da doença Covid-19.
De acordo com a nova edição das Estatísticas do Emprego publicada, esta quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o emprego no Centro de Portugal, uma região altamente industrializada e dinâmica em termos empresariais, ia de vento em popa, tendo atingido um recorde de quase 850 mil postos de trabalho no ano passado.
No primeiro trimestre, com as tempestades devastadoras, veio a paralisação de muitas empresas e grande obstrução da atividade económica.
Em cima disto, o choque petrolífero veio agravar ainda mais a situação numa região muito dependente do consumo de energia, muito industrializada, como referido.
De acordo com o INE, o Centro do país sofreu uma quebra de 1,4% no emprego entre o final de 2025 e o primeiro trimestre deste ano, perdendo assim quase 12 mil empregos em apenas três meses.
Tem agora cerca de 838 mil postos de trabalho ativos. É a terceira região mais importante a nível nacional neste indicador; representa 16% do emprego total.
Um ano antes, no primeiro trimestre de 2025, o emprego do Centro tinha avançado mais de 2%, segundo cálculos do DN a partir dos dados oficiais do INE, agora atualizados.
É preciso recuar ao início de 2020, portanto, seis anos, para encontrar um arranque de ano mais negativo no Centro do país.
A região da Grande Lisboa – onde o embate das tempestades foi mais moderado, mas também ela intensiva e dependente no consumo de energia – não está melhor.
É a segunda mais relevante em emprego (21% do total nacional, cerca da 1,1 milhões de pessoas).
Entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro deste ano, o emprego da área metropolitana da capital sofreu uma quebra de 1,7%, o pior registo desde o começo da pandemia.
O Norte do País é a região mais importante em termos de emprego: concentra 34% do total ou 1,8 milhões de empregados.
A região Norte também se ressentiu neste arranque de ano. A líder no emprego nacional registou uma quebra de quase 1% no número de trabalhadores, o pior registo desde o início de 2021 (ainda estávamos na pandemia).
Com tudo isto, o emprego que esteve a bater sucessivos máximos históricos a nível nacional, parou nesta ascensão. Estava imparável desde o final de 2024.
Durante dois anos esteve a subir e a bater sucessivos máximos históricos, terminando agora, a braços com os efeitos muito negativos dos dois eventos (mau tempo e guerra) o ciclo de expansão relativamente longo, bastante propulsionado pelo turismo, e que tanto foi celebrado pelos governos do PSD-CDS e do PS.
A destruição de emprego nacional chegou a 0,7% no primeiro trimestre deste ano face ao precedente, com a economia portuguesa a perder quase 40 mil postos de trabalho em apenas três meses. Total: 5,3 milhões de empregos.
Em termos homólogos, no entanto, a subida continua (2,3%), mas o ritmo também baixa, sendo agora cerca de metade face ao registado nos dois trimestres da segunda metade do ano passado.
A taxa de desemprego portuguesa, medida em proporção da população ativa, subiu 0,3 pontos percentuais, de 5,8% no quatro trimestre de 2025 para 6,1% no primeiro trimestre deste ano, invertendo a tendência.
Depois de ter atingindo níveis mínimos na história recente (5,8% no segundo semestre do ano passado) e de ter estado a cair de forma consistente entre trimestres durante mais de um ano (desde o final de 2024), o peso do desemprego interrompeu o ciclo de alívio e começou a subir.
O contingente de desempregados também aumentou nos últimos três meses e o país ganhou 20 mil desempregados (um aumento trimestral superior a 6%), população que agora está em 346,3 mil pessoas, segundo os dados do INE. Trata-se do primeiro aumento ao fim de um ano, também.