O CEO do grupo Lufthansa, Carsten Spohr, garantiu esta segunda-feira, 29 de junho, que o interesse da companhia aérea alemã na TAP é “muito forte”, vendo-a como o “parceiro ideal” para uma expansão no sudoeste da Europa e para a ligação à América do Sul, especialmente ao Brasil.
O responsável da empresa está em Portugal para o arranque da construção da fábrica de reparação de peças da Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira, fábrica que vai empregar já 300 pessoas, um número que deverá aumentar para 700 até 2030, garantiu.
Para o CEO, o investimento, que deverá ser na casa dos 300 milhões de euros, é “prova visível” de que o “empenho do grupo em Portugal é real” e o investimento na companhia portuguesa seria uma forte adição à posição que a Lufthansa quer criar em território nacional, que inclui também o lançamento da organização de cariz social Help Alliance Portugal, a primeira do género lançada pela Lufthansa fora da Alemanha, e a possibilidade de uma escola militar de pilotos.
“Acreditamos que aquilo que construímos aqui em Portugal, aquilo que estamos a inaugurar hoje – postos de trabalho, oportunidades de formação e, claro, também o programa social – seria maravilhosamente complementado pela nossa cooperação com a TAP”. afirmou Spohr, que vê na companhia “a parceira certa”, até para expandir para outros mercados.
“É óbvio que Portugal é a porta de entrada para o Brasil. Está geograficamente numa localização perfeita para a execução dos nossos planos de continuar a desenvolver as nossas rotas para a América Latina”, explicou o CEO, ressalvando porém que não querem “desviar valor ou passageiros para Frankfurt ou para a Alemanha, mas sim o contrário”.
A Lufthansa é uma de duas empresas que passaram à próxima fase no processo de privatização da TAP, juntamente com a Air France-KLM. Questionado sobre o que poderia fazer da companhia alemã a escolha certa para o Governo português, o CEO afirmou que o grupo é o único que tem “maior importância estratégica para um potencial investimento num hub” e apontou para o historial da empresa noutros casos.
"Isto vem complementar na perfeição a nossa rede, que já conta com seis hubs espalhados por todo o mundo, mas ainda não temos nenhum no sudoeste da Europa. Sei que o nosso parceiro [Air France-KLM], claro, tem um centro em Paris. Esse também faz parte do sudoeste da Europa, por isso penso que a importância específica de Lisboa será muito maior no nosso caso", afirmou Spohr, apontando para os investimentos em companhias noutros países europeus e frisando que "preservaram a sua identidade nacional".
“Também disse ao vosso governo: se quiserem saber mais sobre o sucesso de uma parceria com a Lufthansa, não me telefonem, não telefonem à Chanceler alemã, telefonem às outras capitais europeias onde investimos", disse o CEO, sublinhando que "eles confirmarão que o investimento da Lufthansa não só criou uma companhia aérea nacional mais forte, como também criou sempre um hub mais forte e melhores ligações para o país em que investimos”,
“Temos os meios financeiros para investir. E, claro, somos, de longe, os líderes no resto da Europa, o que nos permite atrair passageiros com destino a Lisboa e ao Porto, que depois seguem para a América Latina, especialmente para o Brasil”, continuou Spohr.
Ainda que defenda ser a melhor opção, o responsável da Lufthansa considerou que o Governo português “lançou um processo muito profissional para encontrar o parceiro certo para a TAP”, que olha não só à componente económica mas também para uma parceria a longo prazo.
“É por isso que estamos aqui, porque provámos, com os nossos investimentos no passado, que os governos ficam muito satisfeitos quando permitem uma parceria com o Grupo Lufthansa para a companhia aérea nacional”, realçou ainda.