China mantém taxa de juro de referência nos 3% pelo décimo mês consecutivo

Segundo o banco central chinês, a taxa preferencial de empréstimo (LPR, na sigla em inglês) a um ano permanecerá nesse nível por, pelo menos, mais um mês.
China mantém taxa de juro de referência nos 3% pelo décimo mês consecutivo
ANDRES MARTINEZ CASARES/EPA
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O Banco Popular da China (banco central) anunciou esta terça-feira, 24, que vai manter a taxa de juro de referência nos 3% pelo décimo mês consecutivo, em linha com as previsões mais consensuais dos analistas, que não antecipavam alterações.

Na atualização mensal divulgada no seu portal oficial, a instituição indicou que a taxa preferencial de empréstimo (LPR, na sigla em inglês) a um ano permanecerá nesse nível por, pelo menos, mais um mês.

Este indicador, adotado como referência para as taxas de juro em 2019, serve de base para fixar o custo dos novos empréstimos – geralmente concedidos a empresas – e dos créditos de taxa variável ainda por liquidar.

O seu cálculo resulta das contribuições de vários bancos, incluindo pequenos credores que tendem a ter custos de financiamento mais elevados e maior exposição a crédito malparado, e visa reduzir os custos de endividamento e apoiar a chamada “economia real”.

O banco central indicou ainda que a LPR a cinco anos ou mais – referência para o crédito à habitação – manter-se-á nos 3,5%, também em linha com as previsões dos especialistas.

O último corte de taxas na China ocorreu em maio de 2025, quando o BPC reduziu ambas as taxas em 10 pontos base: a LPR a um ano passou de 3,1% para 3%, e a de cinco anos ou mais de 3,6% para 3,5%.

Perante um contexto desafiante para a segunda maior economia mundial, essa decisão foi considerada “evidente” por analistas, que chegaram a antecipar novos cortes ao longo de 2025, os quais acabaram por não se concretizar.

Segundo economistas, o BPC teve nos últimos meses margem para reduzir taxas sem receio de nova depreciação do yuan, devido aos cortes efetuados pela Reserva Federal norte-americana (Fed), mas prevaleceram preocupações com o risco de formação de bolhas nos mercados financeiros ou de agravamento do excesso de capacidade industrial.

Além da incerteza associada às disputas comerciais com os Estados Unidos, a fraca procura interna e externa, os riscos de deflação, estímulos considerados insuficientes, a prolongada crise no setor imobiliário e a falta de confiança de consumidores e empresas são apontados como fatores que explicam uma recuperação económica chinesa menos robusta do que o esperado após os anos da política de ‘zero covid’.

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