China pede aos EUA que corrijam imediatamente ações comerciais antes de negociações

Altos responsáveis de ambos os países iniciaram no domingo, em Paris, uma nova ronda de conversações económicas e comerciais.
China pede aos EUA que corrijam imediatamente ações comerciais antes de negociações
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A China instou esta segunda-feira, 16, os Estados Unidos a "corrigir imediatamente os comportamentos errados" em matéria comercial, num momento em que representantes das duas maiores economias do mundo retomaram negociações em Paris.

Altos responsáveis de ambos os países iniciaram no domingo, na capital francesa, uma nova ronda de conversações económicas e comerciais, lideradas pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

A Casa Branca indicou que Donald Trump poderá deslocar-se à China entre 31 de março e 2 de abril para se reunir com o Presidente chinês, Xi Jinping, embora Pequim ainda não tenha confirmado oficialmente a visita e o chefe de Estado norte-americano tenha sugerido no domingo que a visita poderá ser adiada.

As negociações surgem depois de uma disputa comercial intensa em 2025 entre as duas potências, que levou à imposição de tarifas retaliatórias elevadas antes de ambas acordarem uma trégua de um ano em outubro.

Num comunicado divulgado hoje, o ministério chinês do Comércio criticou novas investigações comerciais anunciadas pelos Estados Unidos contra 16 parceiros comerciais, entre os quais a China, destinadas a avaliar possíveis violações relacionadas com trabalho forçado.

Segundo Washington, os inquéritos podem conduzir à imposição de novas tarifas.

Pequim classificou as investigações como um ato "totalmente unilateral, arbitrário e discriminatório" e "um exemplo típico de protecionismo".

"A parte chinesa já apresentou protestos junto da parte norte-americana. Exortamos os Estados Unidos a corrigirem imediatamente os seus comportamentos errados, a darem um passo em direção à China e a resolverem as divergências através do diálogo e da negociação", afirmou o ministério.

As autoridades chinesas alertaram ainda que as novas medidas norte-americanas representam "um erro sobre outro erro", que prejudica gravemente "a segurança e a estabilidade das cadeias de abastecimento globais".

Apesar da trégua comercial acordada no final do ano passado, as tensões comerciais continuam a marcar as relações entre Washington e Pequim.

Especialistas consideram que o encontro em Paris poderá ser decisivo antes da eventual cimeira entre Xi e Trump. O economista Gary Ng, do banco francês Natixis, afirmou que a principal questão será saber se os dois países conseguem "concordar sobre o que já foi acordado e gerir as divergências".

Além das questões comerciais, temas geopolíticos como o conflito envolvendo o Irão e o impacto nos preços e no fornecimento global de petróleo também poderão ser abordados nas conversações.

As negociações atuais são mais um capítulo num processo iniciado no ano passado, que já levou Bessent e He Lifeng a reunir-se em cidades como Genebra, Londres, Estocolmo, Madrid e Kuala Lumpur.

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