

Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Santander Totta, BPI e Novo Banco, os cinco maiores bancos em operação no país, registaram lucros agregados de 5,2 mil milhões de euros em 2025, um crescimento de 5,9% face a 2024. Apesar da queda das taxas de juro, os resultados sustentaram-se em ganhos na margem financeira, receitas de comissões e resultados extraordinários, com destaque para os recordes históricos da CGD, do BCP e do Novo Banco. Um dos principais contributos veio das comissões cobradas nas operações bancárias, que permitiram receitas superiores a 2500 milhões de euros (2579).
A soma dos resultados dos cinco grupos atingiu 5 226,5 milhões de euros, mais 5,9% do que em 2024. milhões de euros no exercício de 2025. Fazendo a divisão pelos 365 dias do ano, a média situa-se nos 14,32 milhões de euros por dia (quase 600 mil euros por hora) e 100 milhões por semana - parâmetros que ilustram a dimensão dos ganhos num contexto macroeconómico menos favorável em termos de taxas de juro.
A evolução positiva deve-se, sobretudo, aos desempenhos excecionais da Caixa Geral de Depósitos e do BCP, ambos com os maiores lucros de sempre da sua história. A CGD anunciou resultados positivos de 1, 9 mil milhões de euros em 2025 - um aumento de 10% face a 2024 - e prepara‑se para entregar ao Estado um dividendo de 1 250 milhões de euros. Já o BCP reportou ganhos de 1 018,6 milhões, um acréscimo de 12,4% relativamente ao ano anterior.
O Santander Totta também contribuiu de forma significativa, com lucros de 963,8 milhões de euros, praticamente estáveis face a 2024 (mais 0,5%). Em sentido contrário, o BPI viu o seu resultado líquido recuar 13% para 512 milhões de euros, refletindo um abrandamento da atividade principal em Portugal, que rendeu 489 milhões - menos 4% face ao período homólogo.
O Novo Banco teve lucros de 828,1 milhões de euros em 2025, os maiores desde a sua criação e mais 11,2% do que em 2024, divulgou sexta-feira em comunicado ao mercado.
Apesar da pressão das taxas de juro mais baixas, os bancos conseguiram preservar margens financeiras relevantes e alavancar outras fontes de receita. Na CGD, a margem financeira diminuiu 10% para 2.503 milhões de euros, mas as comissões cresceram 1% para 587 milhões. Os resultados de operações financeiras mais do que duplicaram - para 335 milhões - em grande parte devido à venda da participação da CGD na Águas de Portugal, que gerou um ganho de 188 milhões.
No BCP, a margem financeira aumentou 2,4% para 2.898,1 milhões, enquanto as comissões subiram 4,3% para 847,4 milhões. Os custos operacionais também se elevaram, crescendo 8,3% para 1.415,1 milhões, e o banco registou 69,7 milhões em “outros proveitos”, um contraste face aos -70 milhões do ano anterior.
O Santander Totta viu a sua margem financeira cair 12,6% para 1,37 mil milhões de euros, consequência direta da trajetória descendente das taxas de juro ao longo do ano. Essa quebra foi, contudo, compensada por um aumento de 7,1% nas comissões (484 milhões), por um crescimento de 77% nos resultados de operações financeiras (37,3 milhões) e pela reversão das provisões, que passaram de -64 milhões para um saldo positivo de 3,4 milhões - incluindo a recuperação de 27 milhões relativos ao adicional de solidariedade considerado inconstitucional.
No BPI, o produto bancário recuou 8% para 1.225 milhões, impulsionado por uma queda da margem financeira de 10% para 875 milhões e pela diminuição das comissões em 6% para 307 milhões. Ainda assim, o banco sublinha que manteve “uma rentabilidade elevada apesar das taxas de juro mais baixas”.
No Novo Banco, em 2025, a margem financeira (diferença entre juros cobrados em créditos e juros pagos em depósitos) caiu 7% para 1.097,1 milhões de euros, num contexto de mais baixas taxas de juro, enquanto as comissões subiram 9,5% para 353,6 milhões de euros.
O setor bancário português tem vindo a registar sucessivos anos de lucros elevados. Após as expectativas de abrandamento em 2024, motivadas pela descentralização das taxas de juro, o conjunto do setor voltou a bater recordes nesse ano.
Por sua vez, o ano de 2025 prosseguiu essa tendência, com a confirmação de novo máximo histórico agregado . Em síntese, a combinação de margens financeiras resilientes, crescimento de comissões, ganhos com operações financeiras e reversões de provisões explicam a solidez dos resultados, mesmo num cenário de taxas de juro em queda.
O crescimento das receitas com comissões cobradas superou no ano passado a fasquia dos 2500 milhões de euros no conjunto dos cinco principais bancos, sendo que apenas o BPI viu diminuir o encaixe nesta rubrica (-6%). O maior aumento percentual de receita em comissões foi do Novo Banco (9,7%), mas o maior montante total arrecadado foi do BCP: 847,4 milhões.